0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Notas de yuan. moeda chinesa — Foto: Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/06/2026 - 12:34 Brasil emite Panda Bonds e busca estreitar laços econômicos com China O Brasil avança na emissão de títulos em yuan, os Panda Bonds, em um movimento que alia diversificação financeira e estratégia geopolítica. Essa iniciativa pode gerar reações dos EUA, mas não é moldada pela política americana, segundo fontes brasileiras. Além disso, o país busca atrair investimentos chineses com o EcoInvest e divulgar dados financeiros na plataforma Wind Information para estreitar laços econômicos com a China. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O secretário do Tesouro, Daniel Leal, entregará amanhã ao presidente do banco central chinês uma carta que conclui os trâmites burocráticos para que o Brasil possa emitir títulos em yuan, os chamados Panda Bonds. O movimento, além do aspecto financeiro — de diversificação de indexadores e investidores, o que melhora o perfil da dívida brasileira —, tem uma clara dimensão geopolítica, diz um integrante da comitiva. Ele explica que a emissão de títulos em yuan representa um reconhecimento da solidez e da credibilidade do mercado chinês. Questionado sobre uma eventual reação do governo de Donald Trump, em meio às tensas negociações em torno do tarifaço, a fonte ressaltou que as tratativas antecedem a crise provocada pelo tarifaço e pontua que a política externa brasileira não é pautada pelos "humores de Washington". — Não é uma reação. Nossa estratégia não é moldada pelas ações dos Estados Unidos — afirmou em conversa com o blog na noite desta quarta-feira em Xangai. Para Carlos Frederico de Souza Coelho, professor de Relações Internacionais da PUC-Rio e da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, a avaliação brasileira faz sentido. De fato, diz o professor, não é possível desenvolver uma estratégia pensando no instável comportamento do líder americano. — A emissão de títulos da dívida brasileira em yuan é coerente diante da exposição do Brasil à China. Afinal, desde 2009 os chineses são nossos principais parceiros comerciais. Esse movimento representa o amadurecimento dessa relação. Pode haver uma reação negativa dos Estados Unidos? Pode. Mas a pergunta é: e daí? Se formos depender do humor de Trump, não daremos dois passos. Além disso, fazer um hedge em yuan é necessário — afirma. Livio Ribeiro, sócio da BRCG e pesquisador associado do FGV Ibre, observa que vários países vêm emitindo títulos soberanos em yuan, movimento que considera relevante dentro de uma estratégia de diversificação em relação ao dólar. — Evidentemente, trata-se de uma parcela marginal diante do estoque total da dívida. Mas amplia o uso de outras moedas dentro desse princípio de diversificação — diz Ribeiro, lembrando que o Brasil já realiza emissões em euro. EcoInvest tem gerado interesse no mercado chinês Na outra frente da missão do ministro Dario Durigan de aprofundar as relações entre Brasil e China na chamada "aba financeira", está a atração de mais investimentos chineses para o país. Não por acaso, a China foi a primeira parada do roadshow de apresentação do EcoInvest na Ásia. Criado para impulsionar investimentos privados sustentáveis e atrair capital externo para projetos de longo prazo, por meio de instrumentos de proteção contra a volatilidade cambial, o programa também será apresentado no Japão e na Coreia do Sul na próxima semana. A sinalização até aqui, segundo membros da comitiva, tem sido muito boa,. Há grande receptividade no mercado chinês, afirma, lembrando que o programa será nova pauta de seminário em Pequim. Uma das organizadoras do Fórum de Finanças Verdes Brasil-China, realizado em Xangai, Larissa Wachholz — que conversou com o blog dentro do trem após o evento — vê enorme potencial na apresentação do EcoInvest ao mercado asiático. Larissa acredita que haja especial interesse em relação ao quinto leilão do programa, aberto neste mês. Segundo ela, os seis setores prioritários contemplados pelo leilão dialogam diretamente com interesses estratégicos da Ásia: adensamento das cadeias de minerais críticos, economia circular, fertilizantes e fertilizantes verdes, combustíveis avançados para navegação marítima, biogás, bioinsumos e inteligência artificial aplicada a processos industriais. — O EcoInvest faz bastante sentido, não apenas pela disponibilidade dessas tecnologias na Ásia, mas também porque cria incentivos para que determinados projetos saiam do papel. Há empresas que já possuem estudos para implementar projetos e, quando surge um instrumento de incentivo, isso se torna um estímulo para tirar essas iniciativas da gaveta e colocá-las em prática. Ou seja, o programa contribui tanto pelo acesso à tecnologia quanto por induzir a criação de cronogramas de execução e romper a inércia — afirma Larissa, sócia da Vallya Participações e coordenadora do Programa Ásia e do Grupo de Análise da China do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri). Mais informação é uma das estratégias para atrair investimentos Outra iniciativa da missão do Ministério da Fazenda na China é a inclusão de dados do mercado financeiro brasileiro na Wind Information, plataforma chinesa equivalente à Bloomberg. A medida também é vista como relevante pela especialista. Larissa afirma que ainda existe um grande desconhecimento, entre investidores chineses, sobre as oportunidades oferecidas pela economia brasileira. — Há anos se busca aprofundar as relações financeiras entre Brasil e China, e isso passa necessariamente por oferecer mais informações aos investidores chineses. Aqui existe um público bastante atento aos movimentos dos mercados, às bolsas de valores e às oportunidades de investimento no exterior. Todos querem captar recursos na China. Portanto, é importante que essas informações estejam disponíveis para que os investidores compreendam as vantagens e a competitividade do mercado brasileiro. A decisão de investir pressupõe informação. Sem informação, não haverá investimento nem um grau maior de sofisticação nessa relação de negócios — avalia.