Diante de incerteza no cenário global, iniciativa busca diversificar dívida brasileira e fortalecer laços financeiros com a China, diz Mathias Alencastro Mathias Alencastro (terceiro à esquerda) durante encontro do Foro de Cooperação China-Brasil, em Pequim — Foto: Marcelo Ninio RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 09/06/2026 - 09:14 Brasil emite Panda Bonds para diversificar dívida e fortalecer laços com China O secretário Mathias Alencastro confirmou em Pequim a emissão dos Panda Bonds, títulos brasileiros em yuans, como estratégia para diversificar a dívida e fortalecer laços com a China. A medida busca reduzir a dependência do dólar e reforçar relações econômicas, alinhada à política de desdolarização defendida por Lula. Em 2024, a Suzano já emitiu títulos semelhantes, captando 1,2 bilhão de yuans. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A confirmação de que o Brasil prepara a primeira emissão de títulos públicos em yuans tem como pano de fundo a decisão de diversificar a dívida brasileira e fortalecer os laços financeiros com a China, num momento de incerteza no cenário mundial. A explicação foi dada nesta terça em Pequim por Mathias Alencastro, secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda. Ele veio à capital chinesa para participar de reuniões sobre temas da agenda bilateral e preparar a visita à China do ministro da Fazenda, Dario Durigan, dentro de duas semanas. Com a iniciativa, o Brasil pretende vender a investidores chineses os chamados Panda Bonds, que são títulos de dívida emitidos no mercado financeiro da China em yuans. O plano de usar esse instrumento para tomar empréstimos no mercado chinês já havia sido antecipado há um ano por Durigan, na época secretário-Executivo da Fazenda, mas agora será oficialmente anunciado durante sua visita à China. Segundo Alencastro, o Panda Bonds faz parte da estratégia internacional da Secretaria do Tesouro Nacional. — O Panda Bonds é prioritário porque representa um gesto muito importante do Brasil na sua estratégia internacional de dívida, assim como na sua relação com a China, evidentemente pelo símbolo do momento político internacional atual — disse Alencastro. A estratégia consiste em diversificar o perfil da dívida brasileira e reduzir a dependência do dólar americano. O fortalecimento das relações econômicas com a China tem estimulado o apetite de empresas brasileiras a explorar o mercado de dívida do país, o que foi facilitado pelo acordo de liquidação em moeda local assinado no ano passado entre os bancos centrais. Em 2024, a Suzano tornou-se a primeira empresa da América Latina a emitir Panda Bonds, captando 1,2 bilhão de yuans, 0 equivalente a US$ 168 milhões. A ideia de promover alguma medida de desdolarização do comércio internacional tem sido um tema recorrente nos discursos do presidente Lula desde sua primeira visita à China em seu atual mandato, em 2023. De acordo com Mathias Alencastro, a primeira emissão de Panda Bonds pelo governo brasileiro tem a ver não necessariamente com as políticas comerciais dos EUA, como os tarifaços impostos pelo governo de Donald Trump, mas com o contexto global como um todo. — O Brasil tem buscado uma política de diversificação comercial muito bem-sucedida neste momento de adversidade internacional, e não apenas diante dos Estados Unidos, mas diante de uma reformulação das relações internacionais. A gente vê isso nos foros multilaterais e nas relações bilaterais — afirmou Alencastro, em conversa com jornalistas brasileiros em Pequim. Olimpíada de Robôs Humanoides ne China 1 de 10 Robôs humanoides durante a cerimônia de abertura dos Jogos Mundiais de Robôs Humanóides em Pequim, China — Foto: Qilai Shen/Bloomberg 2 de 10 Um robô humanoide de serviço inteligente Tianyi em uma pista de corrida durante a cerimônia de abertura dos Jogos Mundiais de Robôs Humanóides em Pequim, China — Foto: Qilai Shen/Bloomberg X de 10 Publicidade 10 fotos 3 de 10 Robôs humanoides na abertura dos Jogos Mundiais em Pequim, na China — Foto: Qilai Shen/Bloomberg 4 de 10 Robôs humanoides tocam instrumentos durante a cerimônia de abertura dos Jogos Mundiais de Robôs Humanóides em Pequim, China — Foto: Qilai Shen/Bloomberg X de 10 Publicidade 5 de 10 Artistas vestidos com trajes de ópera chinesa e um robô dançam durante a cerimônia de abertura dos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides em Pequim, China — Foto: Qilai Shen/Bloomberg 6 de 10 Um robô humanoide de serviço inteligente Tianyi em uma pista de corrida durante a cerimônia de abertura dos Jogos Mundiais de Robôs Humanóides em Pequim, China — Foto: Qilai Shen/Bloomberg X de 10 Publicidade 7 de 10 Um engenheiro (E) controla um robô enquanto ele compete na corrida de 400 m durante os Jogos Mundiais de Robôs Humanoides em Pequim, — Foto: AFP 8 de 10 Robôs humanoides durante a cerimônia de abertura dos Jogos Mundiais de Robôs Humanóides em Pequim, China — Foto: Qilai Shen/Bloomberg X de 10 Publicidade 9 de 10 Robôs competem em uma partida de futebol 3X3 durante os Jogos Mundiais de Robôs Humanoides em Pequim — Foto: AFP 10 de 10 Robôs humanoides protagonizam competição de kickboxing — Foto: Reprodução/X X de 10 Publicidade Centenas de androides participam dos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides na China Nesse sentido, a sintonia política com a China tem sido de especial relevância, disse ele, sobretudo para avançar alguns objetivos comuns de defesa do multilateralismo. Alencastro lembrou os grandes encontros internacionais recentemente sediados pelo Brasil — G20, cúpula do Brics e COP30 — para destacar que o êxito deles “deve-se muito à participação, ao envolvimento e ao alinhamento com a China”. — Nós criamos uma rotina de trabalho e de coordenação muito forte — disse Alencastro, prevendo que ela se repetirá nos preparativos para a próxima cúpula do G20 em novembro, que será realizada nos EUA. — A gente vê a necessidade de preservar o G20 como foro principal de relações internacionais e, ao mesmo tempo, aproveitar a presença dos Estados Unidos para impor algumas reformas, deixá-lo mais eficiente. Nesta terça, Alencastro chefiou a delegação brasileira que participou do 12º encontro do subcomitê econômico e financeiro Brasil-China. No lado chinês, o vice-ministro das Finanças Liao Min alertou para que o mundo entrou em um novo período de turbulência e transformação em que os desafios encarados pelos países em desenvolvimento tendem a ser “severos em particular”. Liao ressaltou o desejo da China de fortalecer a comunicação macroeconômica com o Brasil, aprofundar a cooperação financeira e ampliar a coordenação em foros multilaterais. — A estabilidade econômica dos dois países proporciona mais certeza a uma ordem global chacoalhada — disse Liao.
Em Pequim, secretário da Fazenda confirma emissão de 'Panda Bonds'
Diante de incerteza no cenário global, iniciativa busca diversificar dívida brasileira e fortalecer laços financeiros com a China, diz Mathias Alencastro








