Nesta semana, o Financial Times publicou em um editorial uma análise sobre os motivos do sucesso da estratégia de desenvolvimento chinesa. O título é bastante sugestivo: A Política Industrial é a vantagem comparativa chinesa. Trata-se de uma interpretação bastante distinta daquela que prevaleceu no ocidente ao longo de décadas. O próprio FT inúmeras vezes sugeriu que as políticas industriais chinesas distorciam os mercados e geravam ineficiências. Portanto, comprometeriam os fundamentos que levariam a um crescimento sustentável no longo prazo.
No artigo desta semana, é interessante observar que nem mesmo os subsídios são criticados. Ao contrário, são relativizados. Cita-se, por exemplo, que eles não são o principal fator da competitividade chinesa no setor de veículos elétricos, uma vez que responderiam por apenas 15% da vantagem de custo das empresas locais. Ao contrário, o que a coluna destaca é o caráter amplo da coordenação da política industrial chinesa. Uma coordenação que combina planejamento central com intensa competição regional.
É interessante observar que essa coluna se soma a um conjunto de reinterpretações de economistas e policy makers sobre o tema. Como caso emblemático, destaca-se o relatório recente do Banco Mundial – Política Industrial para o Desenvolvimento. Neste, o banco reinterpreta as críticas que tinha sobre política industrial e sugere que seus conselhos aos países em desenvolvimento envelheceram mal e hoje têm a mesma serventia de um disquete. Como seria de se esperar, o caso chinês também é tratado como um exemplo de relevante sucesso de aplicação da política industrial.














