No mundo todo, ajuda governamental aos maiores grupos industriais em 15 setores estratégicos atingiu, em 2024, níveis não vistos desde a crise financeira global, aponta relatório Engenheiro testa robôs industriais nas instalações da Efort Intelligent Robot, em Wuhu, cidade da província de Anhui, na China — Foto: Qilai Shen/Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 01/06/2026 - 12:00 OCDE: Subsídios Industriais Chineses Superam Membros da OCDE em 2024 A OCDE revelou que, em 2024, os subsídios industriais globais alcançaram US$ 108 bilhões, com destaque para a China, que lidera o "doping industrial". O apoio estatal chinês a empresas nos setores de semicondutores e energia renovável supera de três a oito vezes o de membros da OCDE, gerando tensões comerciais. Os subsídios, segundo a OCDE, não impulsionaram a produtividade, podendo provocar desigualdade e protecionismo. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Os subsídios industriais atingiram US$ 108 bilhões em 2024, segundo relatório divulgado nesta segunda-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Neste cenário, a China se destaca no apoio estatal aos negócios do setor, uma espécie de doping industrial, o que leva a riscos de distorções prejudiciais à economia, de acordo com a organização. A ajuda governamental destinada aos maiores grupos industriais do mundo em 15 setores estratégicos atingiu, em 2023 e 2024, níveis não vistos desde a crise financeira global, marcando uma mudança estrutural, afirmou a organização com sede em Paris nesta segunda-feira. A China é um caso de destaque no banco de dados divulgada pela OCDE nesta segunda-feira: as empresas sediadas no país receberam entre três e oito vezes mais apoio governamental do que as companhias dos países membros da organização. Isso é consideravelmente mais do que o observado em grandes economias não integrantes da OCDE, como Brasil e Índia. Segundo a OCDE, em uma estimativa conservadora, as empresas chinesas receberam, em média, de três a oito vezes mais apoio governamental entre 2005 e 2024 do que as empresas que pertencem ao grupo. A pesquisa oferece uma nova perspectiva sobre o uso de subsídios que vêm alimentando tensões comerciais e a imposição de tarifas entre a China e as principais economias do mundo. No centro das críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Pequim está a existência de condições desiguais de concorrência em setores globais como o automobilístico — preocupações que autoridades da União Europeia também têm manifestado de forma cada vez mais enfática, à medida que as montadoras europeias enfrentam a concorrência de fabricantes chineses como BYD e Chery. Durante anos, o debate sobre subsídios foi dificultado pela falta de transparência e pela divulgação incompleta de informações a organismos como a Organização Mundial do Comércio. Segundo um relatório de 2025 do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, “desde sua adesão à OMC, há mais de 20 anos, a China ainda não apresentou à organização uma notificação completa dos subsídios mantidos pelo governo central”. A iniciativa da OCDE busca lançar mais luz sobre esse tema controverso ao mostrar os valores efetivamente recebidos pelas empresas, com base na análise de documentos corporativos para rastrear subsídios diretos, incentivos fiscais e financiamentos concedidos a taxas reduzidas. — Os subsídios industriais estão crescendo em todo o mundo, mas durante décadas não tivemos uma visão confiável, abrangente e comparável do que os governos realmente estão oferecendo e do que as empresas efetivamente estão recebendo — afirmou Mathias Cormann, atual secretário-geral da OCDE, durante uma apresentação em Paris. — Os subsídios não são apenas uma questão fiscal; eles estão remodelando os mercados globais. Apoio a energia renovável Equipamentos de energia renovável, semicondutores e indústrias pesadas são os setores que recebem o maior volume de apoio governamental. Mais uma vez, a China lidera com folga: os subsídios médios para empresas de semicondutores chegaram a quase 10% da receita das companhias em 2021 e 2022, enquanto a média global ficou pouco acima de 2%. — Os dados da OCDE confirmam que os governos estão recorrendo cada vez mais à política industrial para direcionar a atividade econômica em setores selecionados. A principal questão é saber se essas intervenções conseguirão atingir seus objetivos transformadores — ou se acabarão resultando em desperdício de recursos e maior protecionismo — afirmou Antonio Barroso, analista sênior de geoeconomia da Bloomberg Economics. A OCDE afirmou que sua análise mostra que os subsídios estatais estão transformando a economia mundial. Cerca de 22% dos ganhos de participação de mercado obtidos por empresas entre 2005 e 2023 podem ser atribuídos aos subsídios. No caso das empresas chinesas, esse percentual se aproxima de 60%. A organização também concluiu que os subsídios não aumentaram a produtividade nem a rentabilidade das empresas, sugerindo que esse tipo de apoio pode ter desestimulado investimentos. “Assim como o doping nos esportes, existe o risco de que os subsídios permitam que participantes menos produtivos vençam de forma injusta, em detrimento daqueles mais inovadores e eficientes”, afirmou a OCDE. “Isso pode acabar impondo custos de longo prazo à economia global, na forma de menor inovação, qualidade dos produtos e concorrência, ainda que os consumidores se beneficiem, no curto prazo, de preços mais baixos”. A análise da OCDE se baseia em uma importante base de dados chamada Grupos de Manufatura e Corporações Industriais (MAGIC), que inclui informações financeiras de grandes empresas internacionais dos setores industriais: aeronáutica e defesa, alumínio, automoção, cimento, química, fertilizantes, vidro e cerâmica, maquinaria pesada, semicondutores, construção naval, painéis fotovoltaicos, aço, equipamentos de telecomunicações, material rodante e energia eólica. "Desde há dois anos, a base de dados foi compartilhada de maneira confidencial" com os governos dos 38 países membros da organização, explica um especialista da OCDE. Mas agora se tornou pública pela primeira vez uma versão agregada sem citar o nome das empresas, com base nos mesmos dados. (*) Com informações da AFP
China lidera 'doping industrial' no mundo em ano em que subsídios ao setor chegaram a US$ 108 bi, diz OCDE
No mundo todo, ajuda governamental aos maiores grupos industriais em 15 setores estratégicos atingiu, em 2024, níveis não vistos desde a crise financeira global, aponta relatório















