Os modelos chineses não entram na conta do faturamento pelos laboratórios 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A inteligência artificial ChatGPT — Foto: Lionel Bonaventure/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 06/07/2026 - 19:53 Relatório destaca faturamento bilionário da IA e disputa EUA-China O relatório da Exponential View revela o cenário financeiro da inteligência artificial (IA). Entre 2025 e 2026, o setor faturou US$ 110 bilhões, com 82% destinados a empresas de nuvem, 7% a assinaturas de apps e 11% à compra direta de modelos de IA. Os chineses fornecem modelos gratuitos, lucrando com servidores. A disputa entre EUA e China se intensifica, destacando estratégias distintas e a pressão sobre preços. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Um relatório novo da Exponential View, uma empresa de análise de informação britânica, ajuda a redesenhar por completo o jogo da inteligência artificial (IA). Põe luz sobre quem ganha, quem perde e como cada jogador nesse negócio organizou suas peças. Os números relevantes do relatório são quatro: o faturamento acumulado do negócio de IA nos 12 meses entre o segundo trimestre de 2025 e o primeiro deste ano foi de US$ 110 bilhões. Um número. Aí vêm os outros três — o percentual que cabe a cada parte da cadeia. Oitenta e dois por cento ficaram com as empresas de nuvem, os parques de servidores. Mais 7% pertencem às assinaturas de apps, como ChatGPT e Claude. Por fim, 11% são da compra direta dos modelos de IA. Os três percentuais sobre o faturamento total explicam até o jogo em que China e Estados Unidos mergulharam. Existem duas maneiras de comprar acesso às IAs. Uma é a assinatura que a maior parte de nós faz. Vinte dólares por mês para poder contar com o ChatGPT. Faz a assinatura, baixa o app e pronto. Mas há outro jeito, preferido por empresas. Elas se conectam com os servidores da OpenAI, Anthropic, Google ou qual for sem passar pelos aplicativos. A versão pessoa física, app no computador ou celular com acesso a chat, representa 7% do faturamento. A conexão direta com o servidor é uma fatia de 11%. Some 7 pontos percentuais com 11 e temos o pedaço do dinheiro que vai para os laboratórios de IA: 18%. Eles levam a fama, movem as manchetes, mas os donos dos servidores em que rodam as IAs é que ganham mais dinheiro. É verdade que, lentamente, a participação de modelos e apps tem aumentado dentro do todo. Mas é bem lentamente, ao ritmo de 1 ou 2 pontos percentuais por ano. Isso faz com que cada um dos jogadores tenha interesses bem distintos nesse jogo. Anthropic e OpenAI disputam quem ganha mais dinheiro no corte que cabe aos laboratórios. Mas o Google, que ocupa a terceira posição no ranking das melhores IAs americanas, compete igualmente no ramo dos servidores. O Google Cloud também presta serviços às concorrentes. E, assim, a empresa ganha bem mais dinheiro que as líderes com tecnologias melhores. Quando o Brasil atrai parques de IA para seu território, ganha a oportunidade de cobrar imposto, localmente, justamente sobre o pedaço mais rentável desse negócio. Nessa numeralha, um pedaço do grande jogo da IA obviamente está ausente. São os chineses. Os laboratórios de lá distribuem modelos de pesos abertos. Gratuitos. Qualquer um pode baixar, instalar no servidor que escolher e rodar. Paga pelo servidor, não pela IA. Neste último mês, apareceu no mapa pelo menos um modelo chinês que parece capaz de competir em nível de igualdade com os melhores americanos no campo da cibersegurança. E é aí que o corte proposto pela Exponential View pode iluminar a estratégia de Pequim. Os modelos chineses não entram na conta do faturamento pelos laboratórios, aqueles 18%. Mas entram nos gastos com servidores. Ora, muitas dessas nuvens são chinesas. A que será montada no Ceará pela ByteDance, anunciada na semana passada, é um exemplo. É um pouco como o raciocínio da lâmina e do aparelho de barbear, do cartucho de tinta e da impressora. Vende barato a ferramenta, ganha dinheiro na lâmina e na tinta. Os chineses dão de graça a IA, cobram pela máquina que a roda. Simultaneamente, põem pressão nos concorrentes americanos. Essa pressão é um truque importantíssimo: para continuar cobrando caro por suas IAs, as empresas americanas precisam estar consistentemente na ponta, uma geração à frente dos concorrentes. Isso exige que gastem muito dinheiro. Ao mesmo tempo, a existência de modelos apenas um pouco piores, vindos da China, impede OpenAI e Anthropic de aumentar demais o preço cobrado dos consumidores. Afinal, há concorrentes. Dumping bom e velho. O que faz a elite do Vale do Silício seguir apostando no modelo pago? Eles acreditam que em algum ponto a IA ultrapassará a capacidade da inteligência humana. Nesse momento, quem tiver esse modelo nas mãos dará um imenso salto, tão além de todos os outros que a vantagem se tornará permanente. Pode ser. Os chineses não acreditam nisso. Acham que modelos serão commodities e que o negócio está no computador que roda a IA. Quem estiver certo ganhará.
Quem lucra mais com inteligência artificial
Os modelos chineses não entram na conta do faturamento pelos laboratórios








