No guardanapo, a conta era muito simples. Implementar a Inteligência Artificial onde fosse possível, automatizar o trabalho repetitivo, substituir salários por softwares e desfrutar das margens geradas. Google, Amazon, Meta, Microsoft e dezenas de companhias de tecnologia demitiram, juntas, 116 mil profissionais em 2026, sob aplauso do mercado e a tese de redução de custos. As ações subiram e os executivos receberam bônus. O problema é que os números não têm confirmado essa versão e as primeiras faturas começam a chegar. Em dezembro passado, a Microsoft distribuiu licenças do Claude Code para milhares de engenheiros. Os funcionários adoraram a ferramenta, usaram até demais. Seis meses depois, a empresa cancelou a maior parte das licenças e redirecionou os funcionários para um produto próprio da companhia.

O Uber viveu episódio semelhante. Implantou o Claude Code para 5 mil engenheiros e esgotou o orçamento anual de IA de 3,4 bilhões de dólares em apenas quatro meses. Um consultor relatou ao Axios que um cliente, não identificado publicamente, esqueceu de estabelecer limites de consumo e gastou cerca de 500 milhões de dólares em um único mês com tokens do Claude, da Anthropic. Os preços de softwares de IA nos Estados Unidos subiram entre 20% e 37% em um ano. O plano corporativo que libera o uso generalizado e simultâneo começou a encontrar os limites que o guardanapo não previa.