'É inexorável que a inteligência artificial vá se expandir e demandar muita energia', diz executivoMarcelo Araujo afirma que mundo precisará encontrar formas de ampliar geração de energia renovável a custo competitivo. Crédito: Edição: Larissa Kinoshita motion: Raul Carvalho, Coord de pós: Anderson Russo, Captação: Felipe Pedro, Produção: Vitória SchimdtzGerando resumoEnquanto a guerra dos Estados Unidos contra o Irã abala os mercados de energia, seria de se esperar que as empresas chinesas de energia limpa estivessem lucrando. O país produz mais de 80% dos painéis solares do mundo, fabricando-os em grandes quantidades. Graças a esses esforços, as fontes renováveis geraram mais eletricidade do que o carvão no ano passado em todo o mundo. No entanto, a indústria solar chinesa, embora líder mundial, está em apuros. E o impulso da guerra não foi suficiente para estabilizá-la.PUBLICIDADEAs exportações de energia solar da China tiveram um aumento significativo desde o início dos bombardeios. Mas isso será pouco para animá-las, já que enfrentam três problemas assustadores. A demanda interna por seus produtos está caindo pela primeira vez em décadas, porque as redes elétricas do país — de longe o maior mercado para painéis solares — estão sobrecarregadas. A oferta de painéis solares, por sua vez, está superabundante devido a anos de investimentos vultosos em fábricas. E mesmo que a guerra esteja ajudando as vendas de energia solar no Sudeste Asiático e na África, o protecionismo tem crescido nos maiores mercados ocidentais.Esses problemas convergem em um momento inoportuno. A maioria das empresas opera com prejuízo desde 2024 devido a guerras brutais de preços; as falências estão aumentando. Após um crescimento vertiginoso, a maior fábrica de energia solar do mundo agora enfrenta um momento decisivo.PublicidadeLeia tambémThe Economist: Google está destronando a OpenAI como rei da IA para o consumidorThe Economist: Qual é o custo do governo Trump para a economia americana?Globalmente, a indústria solar nem sempre tem sido favorável aos investidores. Um painel solar é muito parecido com outro, e, quando um fabricante implementa melhorias, elas são rapidamente copiadas pelos concorrentes. Assim, as empresas geralmente tentam aumentar a produção o mais rápido possível para conquistar participação de mercado. Isso significa que a produção pode ultrapassar em muito a demanda, causando o colapso das margens de lucro. Essa tendência levou a uma queda acentuada nas receitas em 2018, por exemplo, seguida por uma recuperação após a demanda se igualar à demanda existente.Resíduos solaresMas a atual crise é de outra ordem. O principal mercado para painéis solares sempre foi a China, e a implantação tem sido tão rápida nos últimos anos que está superando a capacidade das redes elétricas de absorvê-la. Em todo o país, telhados, colinas e desertos estão cobertos por uma camada cinza-escura de silício. Para manter as luzes acesas, a China dependia, no passado, de usinas termelétricas a carvão, que podem ser ligadas e desligadas conforme a necessidade. Os painéis solares funcionam apenas durante o dia, o que pode levar à falta de energia à noite e ao excesso durante o dia. Como resultado, em janeiro e fevereiro, cerca de 9% da geração de energia solar da China foi desperdiçada, um aumento em relação aos 6% registrados no mesmo período do ano passado.PublicidadeTudo isso torna difícil justificar a instalação de muito mais painéis solares. As instalações deste ano podem cair entre 24% e 43% em relação a 2025, de acordo com um grupo do setor. Isso seria suficiente para causar uma queda na demanda global por painéis solares em 2026, a primeira em duas décadas, segundo a consultoria Bloomberg NEF. Para que as redes elétricas da China suportem a demanda, é necessário armazenar o excesso de energia solar ou transportá-la por longas distâncias até onde for necessária. Isso exige grandes investimentos em baterias e linhas de transmissão, além da criação de mecanismos de mercado flexíveis para coordenar tudo (em algumas regiões, contratos de longo prazo para geração de energia a carvão excluem as energias renováveis, mesmo sendo mais baratas). A exemplo do que ocorre no Brasil, energia solar tem provocado excedente de geração durante o dia e escassez à noite
The Economist: A indústria solar chinesa, líder mundial, está em crise
Mesmo com a guerra impulsionando exportações, a indústria solar da China sofre com excesso de oferta e queda na demanda interna











