PUBLICIDADE Enquanto Pequim sai ganhando com a guerra no Irã, eleição na Colômbia sinaliza perda de influência na América Latina 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Presidente da China, Xi Jinping — Foto: Brendan SMIALOWSKI / POOL / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/06/2026 - 20:16 China Equilibra Diplomacia no Oriente Médio e Perde Terreno na América Latina A China enfrenta um cenário de perdas e ganhos no cenário global. Enquanto se beneficia da neutralidade na guerra do Irã, reforçando seu papel de potência diplomática, perde influência na América Latina com a eleição de líderes pró-EUA, como na Colômbia. A vitória de Abelardo de la Espriella representa um revés para Pequim, que vê seu poder político na região enfraquecido, apesar de investimentos econômicos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Quando o presidente dos Estados Unidos se sente compelido a manifestar gratidão aos líderes chineses só por não terem feito nada, é sinal de que algo de fato mudou na ordem mundial. O aceno de Donald Trump a Pequim foi uma dose extra de humilhação para os EUA no acordo de cessar-fogo com o Irã, com um travo amargo de derrota na competição geopolítica global. E foi especialmente simbólico por ocorrer na cúpula do G7, o clube das potências industriais que tem na ascensão da China um de seus grandes desafios. Trump agradeceu ao líder chinês, Xi Jinping, por ter ficado “totalmente neutro” na guerra com o Irã. De quebra, estendeu o agradecimento a outro rival-mor do Ocidente, o russo Vladimir Putin. “Eles poderiam ter dificultado muito as coisas para nós”, disse Trump no balneário francês de Évian-les-Bains, sede da reunião. Como é habitual com o presidente americano, o agradecimento conteve uma pitada de autopromoção. Afinal, assim Trump pôde vender a versão de que ele foi o responsável por obter a “ajuda” da China na conversa que teve com Xi em sua recente visita a Pequim. Há outras formas de interpretar o comportamento chinês. Para começar, a neutralidade é relativa. Uma das expectativas na visita de Trump a Pequim era de que ele convencesse os chineses a cortar a importação de petróleo do Irã para estrangular o regime dos aiatolás, o que não ocorreu. Além disso, jogar parado é estratégia em benefício próprio para a China, não uma concessão a Washington. Enquanto os EUA dilapidam sua reputação e seus cofres na campanha militar contra o Irã, Pequim se consagra como referência diplomática, com visitas em sequência de Trump e Putin. O agradecimento a Xi coroou essa posição. O roteiro “captura a essência da estratégia de Pequim: uma demonstração de poder que não requer ostentação”, descreve o analista Wenran Jiang, no jornal South China Morning Post. Se o desfecho da guerra no Irã é incerto, tudo indica que a China estará no lado vencedor, com a influência em alta e sem risco de perder um parceiro no poder em Teerã. A mudança de ares em Bogotá reforça uma virada na América Latina, com inevitável repercussão para a disputa por influência Washington-Pequim. Além da Colômbia, eleições recentes na região levaram ao poder governos com inclinação para a direita em outros cinco países — Chile, Bolívia, Equador, Honduras e Costa Rica — com chances de chegar a seis no Peru. Em todos, a China sai perdendo, num sinal de que a expansão de investimentos e comércio não assegura ganhos políticos. Nesse sentido, a eleição no Brasil é a bola da vez nas preocupações latino-americanas de Pequim. Em maio, o colombiano Sergio Cabrera foi premiado pelo governo chinês com a medalha “Excelência Diplomatica”. Ex-guerrilheiro maoista e cineasta premiado, foi escolhido a dedo por Petro para representar o país numa nova era de parceria com a China. Com a reviravolta, Cabrera deve voltar ao cinema, com uma história de amor envolvendo Colômbia e China. Ao menos nesse caso, ele será o dono do roteiro.
Com Irã e Colômbia, China contabiliza perdas e ganhos
Enquanto Pequim sai ganhando com a guerra no Irã, eleição na Colômbia sinaliza perda de influência na América Latina
672 words~3 min read






