PUBLICIDADE Após formalizar primeira emissão de títulos soberanos em moeda chinesa, ministro da Fazenda diz que país não quer ficar ‘preso’ na polarização Pequim-Washington 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reiterou que o tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump é “injusto” — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 26/06/2026 - 09:39 Brasil emite títulos em yuan e fortalece laços com a China O ministro da Fazenda, Dario Durigan, formalizou a emissão de títulos brasileiros em yuan, buscando diversificar a dívida do país e evitar a polarização EUA-China. Durigan enfatizou que o Brasil não está preso à geopolítica entre Washington e Pequim e que busca liderar o desenvolvimento sustentável global. A emissão de "panda bonds" visa fortalecer laços financeiros com a China. Além disso, o Brasil terá uma representação da Receita Federal em Pequim para facilitar o comércio bilateral e combater o crime organizado. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu nesta sexta-feira a intenção do governo de emitir títulos soberanos brasileiros em yuan (“panda bonds”), formalizada esta semana por ele esta semana em Pequim, e disse que ela representa “o próximo passo na relação entre o Brasil e China”. A ideia, como ele já havia afirmado, é diversificar a dívida brasileira, sem ter os movimentos tolhidos pela competição geopolítica. — O que é realmente importante para mim é que nós não estamos presos, do ponto de vista do Brasil e do presidente Lula, na polarização entre os Estados Unidos e a China. Nós temos nossa própria estratégia para lidar com o mundo. E nós nos vemos como um país que precisa liderar a nova era de desenvolvimento sustentável em diferentes regiões do mundo — afirmou o ministro, em conversa com jornalistas em Pequim. O Brasil é o primeiro país da América Latina a emitir “panda bonds”, com previsão de captar inicialmente até 5 bilhões de yuans (R$ 3,8 bilhões). Segundo anúncio do ministério da Fazenda, um dos objetivos é “aprofundar a cooperação financeira entre Brasil e China, em linha com os esforços de fortalecimento dos vínculos econômicos e financeiros bilaterais”. Sobre a capacidade do Brasil de se equilibrar entre o interesse de diversificar parcerias e não sofrer retaliações dos EUA por esse aprofundamento com a China, Durigan disse que a blindagem passa por resistir às pressões. — É assim que a gente se equilibra. Não batendo continência para a bandeira americana. A gente foi para os Estados Unidos, o presidente Lula foi lá na Casa Branca e disse para o presidente Trump algumas coisas. Primeiro: quero aumentar o comércio com os Estados Unidos. Vamos ultrapassar essa discussão sobre tarifa punitiva ao Brasil para que a gente amplie o comércio com os Estados Unidos. Durigan reiterou que o tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump é “injusto” e não faz sentido, uma vez que o Brasil tem déficit comercial com os EUA, ao contrário de países como a China. Portanto, disse ele, o governo é movido pela ideia de que os riscos de retaliação não devem limitar suas políticas e estratégias. — A gente, evidentemente, faz a avaliação de risco, mas não me parece que isso deva limitar a atuação do Brasil. Então, há uma avaliação de risco, há atuação diplomática, atuação política, mas isso não nos limita. É isso que é o mais importante. Toda a discussão tarifária dos Estados Unidos em relação ao Brasil é injusta. Em mais um passo no sentido de ampliar a cooperação com a China, Durigan anunciou que o Brasil passará a ter uma representação da Receita Federal em Pequim. A escolhida para o cargo foi Andrea Costa Chaves, subsecretária de Fiscalização da Receita Federal. Ela será a primeira adida para assuntos tributários e aduaneiros do Brasil na Ásia. Atualmente esse posto está aberto nos EUA e nos países do Mercosul. Segundo Durigan, a nova adidância em Pequim se justifica pelo volume de negócios entre Brasil e a China, e tem como principal objetivo facilitar o comércio bilateral, deixando mais claras para os dois lados questões tributárias e aduaneiras. Também está no radar a maior cooperação com as autoridades chinesas para identificar ações do crime organizado, disse o ministro. O Brasil tem “uma agenda de sucesso” na parceria com a aduana dos EUA para identificar remessas ilegais de armas e drogas sintéticas”, afirmou, e com a China há também a possibilidade de trabalhar nesse sentido. O aumento do comércio bilateral também traz riscos, e identificá-los será uma das funções da nova adida baseada em Pequim. — A quantidade de contêiner, a quantidade de navios [da China] é muito grande. Eu não tenho essa informação precisa, de qual é o risco identificado, mas certamente é preciso cuidar para que dentro dessa movimentação internacional o Brasil não sirva como porta de saída ou porta de entrada para drogas, armas, que é o que mais me preocupa— afirmou, acrescentando. — Nós vamos olhar para isso com mais atenção. Com a Andrea aqui, nós vamos ter uma frente de trabalho bem forte contra o crime organizado também.
Durigan: 'Brasil não bate continência para a bandeira americana'
Após formalizar primeira emissão de títulos soberanos em moeda chinesa, ministro da Fazenda diz que país não quer ficar ‘preso’ na polarização Pequim-Washington









