Os indígenas chamavam o padre José de Anchieta de caraibebé, o que significa em tupi "homem de asas" ou "deus alado". O jesuíta recebeu esse apelido porque caminhava longas distâncias rapidamente e tinha grande agilidade. Quando circulava pelas matas parecia planar, apesar de apresentar uma condição física desfavorável, uma deformação na coluna vertebral que o deixou corcunda.
Um dos caminhos que José de Anchieta possivelmente percorria em São Paulo era entre o Pateo do Collegio e a então capela de São Miguel Arcanjo, que ele fundou em 1560 para catequizar os indígenas guaianases chefiados pelo cacique Piquerobi. O lugar chamava-se então aldeia de Ururay, nome dado a uma ampla região que margeia o rio Tietê e que hoje compõe a zona leste.
Imagina-se que o padre andava nessa trilha de cerca de 22 km regularmente —os jesuítas eram notórios caminhantes. Ele também tinha a opção de fazer o percurso de barco, navegando pelo rio Tamanduateí e pelo Tietê.
Fiz a pé essa provável jornada de Anchieta acompanhado de um grupo de 18 pessoas guiado pelo arquiteto e urbanista Ricardo Luis Silva, do Estudio Ceda El Paso, que realizou o evento no último sábado (20). O caminho seguia antigos peabirus, trilhas ancestrais hoje convertidas em avenidas e ruas. Não há vestígios coloniais nelas, são só paisagens urbanas, estabelecimentos comerciais, raras árvores, alguns casarões centenários, em geral em mau estado, e córregos hoje poluídos e retificados.







