Quando Afukaká Kuikuro chegou a Paris como convidado especial para a abertura da exposição "Gênesis", em 2013, o casal Lélia e Sebastião Salgado o apresentava como "um grande estadista brasileiro". Alguns dias depois, quando o líder indígena deixou a capital francesa de volta à sua casa no Alto Xingu, quem acompanhou sua visita concordava com a descrição.
Afukaká era um diplomata nato, de modos polidos, grande gentileza, duro na negociação em defesa de seu território e dotado de visão estratégica sobre o relacionamento dos povos xinguanos com a chamada "sociedade envolvente", o Brasil não indígena.
Desde criança mostrou grande facilidade para línguas: além do kuikuro (língua do tronco karib), aprendeu o português, que falava bem apesar do sotaque, e diversas línguas indígenas de sua região. Nos anos 1960, essa facilidade chamou atenção dos irmãos Villas-Bôas, responsáveis pelo projeto do Parque Indígena do Xingu, criado por decreto do presidente Jânio Quadros, em 1961.
A preparação para a liderança foi rigorosa, segundo gostava de contar: ficou dois anos em reclusão ao chegar à adolescência, bem mais do que outros jovens. Ali moldou o corpo e aprendeu as artes de guerreiro. Tornou-se um campeão do huka-huka, a luta entre as diversas aldeias que marca as festas anuais do Kuarup.













