Michel Kuka Muladinga faz sucesso ao representar Patrice Lumumba, personagem histórico da independência do país 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Michel Kuka Mboladinga imóvel durante partida entre RD Congo e Argélia na Copa Africana de Nações — Foto: Gabriel Bouys/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/06/2026 - 19:52 Torcedor-Símbolo da RD Congo Perde Estreia na Copa 2026 por Ebola Michel Kuka Muladinga, torcedor da RD Congo que homenageia o mártir Patrice Lumumba, não participará da estreia contra Portugal na Copa do Mundo 2026 devido à epidemia de ebola. Sua pose, que imita a estátua de Lumumba, virou símbolo de resistência e orgulho. Apesar das restrições, espera-se que ele compareça ao jogo contra a Colômbia. Muladinga, figura icônica, conquistou contratos publicitários e reconhecimento nacional. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Vestindo um terno impecável, de pé e com o braço direito erguido, Michel Kuka Muladinga, de 49 anos, virou um dos assuntos mais comentados da última Copa Africana das Nações (CAN), no Marrocos. O torcedor da República Democrática do Congo ganhou as redes ao acompanhar as partidas imóvel como uma estátua em homenagem a Patrice Lumumba, figura histórica considerada mártir do país. O sucesso foi tanto que ele virou parte da delegação congolesa para a Copa do Mundo 2026, mas a epidemia do ebola o afastou da estreia do país no Mundial nesta quarta-feira, contra Portugal. A postura de Muladinga durante os jogos reproduz a da estátua construída em Kinshasa, capital do país, em homenagem a Lumumba. O político é um ícone da independência da RD Congo do domínio belga em 1960. Com um discurso inflamado contra o racismo dos colonizadores, ele se tornou primeiro ministro do país entre julho e setembro daquele ano. Com apenas 35 anos, Patrice Lumumba foi derrubado, preso, torturado e morto a tiros por separatistas congoleses. O crime teve a participação da Bélgica, que colonizou o país durante quase oito décadas, e apoio os Estados Unidos, sob a alegação de uma possível ligação dele com a extinta União Soviética em plena Guerra Fria. Seu corpo nunca foi encontrado. A imagem de Muladinga vestido como Lumumba em meio aos milhares de pessoas nas arquibancadas durante os jogos da RD Congo na CAN varreu o mundo, e ele virou um ícone para o país, que estreia num Mundial após 52 anos de jejum. O retorno da RD Confo ao torneio, porém, acabou atrapalhado pela epidemia do vírus ebola, que já soma mais de 800 casos e 192 mortes no país, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). A preocupação com possíveis contágios do vírus nos EUA gerou restrições aos torcedores congoleses, que mesmo com ingressos comprados não poderão viajar ao país para acompanhar os jogos, informou recentemente a agência AFP. A possibilidade de jogar sem torcida preocupou os jogadores, que pressionaram para que Muladinga fosse incluído na delegação oficial do país no torneio. No caso da seleção e comissão técnica, autoridades americanas exigiram um período de isolamento de 21 dias numa "bolha sanitária" na Bélgica antes do torneio. A delegação dos Leopardos desembarcou em Houston no dia 11, mas Muladinga se juntou à equipe na tarde demais para cumprir os protocolos de saúde de prevenção ao ebola. Homenagem exige treino Por isso, ele não conseguirá chegar a tempo da estreia do time congolês contra o Portugal de Cristiano Ronaldo. A expectativa, segundo informou o portal de notíciascongolês Actualité, é que Mboladinga esteja nos EUA para o confronto da RD Congo contra a Colômbia, no dia 24. “Os jogadores o adoram muito. Mboladinga é um símbolo nacional de resiliência e orgulho", disse em entrevista ao jornal The Wall Street Journal Véron Mosengo-Omba, presidente da Federação Congolesa de Futebol. Para sustentar a homenagem durante os 90 minutos (ou mais) a cada partida, Mboladinga pratica a pose por até 40 minutos todos os dias. “Permaneço imóvel porque acredito que isso dá à equipe resistência emocional”, disse ele em entrevista ao WSJ. “Assim como Lumumba sacrificou sua vida pelo nosso país, a minha é um pequeno preço a pagar pela profunda preocupação que tenho com esta equipe.” A fama também trouxe recompensas. A rotina de animador do AS Vita, time da primeira divisão da RD Congo, precisou dar espaço a contratos publicitaários com empresas como a chinesa Tecno Mobile, de smartfones, e a empresa francesa de telecomunicações Orange. Além disso, o presidente do país, Félix Tshisekedi, o presenteou com o jipe.
Torcedor 'estátua' de mártir da RD Congo fica fora da estreia contra Portugal por epidemia do ebola
Michel Kuka Muladinga faz sucesso ao representar Patrice Lumumba, personagem histórico da independência do país














