O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes pediu, nesta quarta-feira (24), para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) analise se a apreensão da arma de fogo de Jair Bolsonaro pode impactar na prisão domiciliar do ex-presidente. O procurador-geral, Paulo Gonet, tem 48h para analisar o pedido. "Comete falta grave o condenado à pena privativa de liberdade que 'possuir, indevidamente, instrumento capaz de ofender a integridade física de outrem'", afirma Moraes, citando um trecho da Lei de Execuções Penais. Segundo especialistas, Bolsonaro pode responder por infração administrativa ou violação do Estatuto do Desarmamento (veja detalhes no fim da reportagem). De acordo com o documento, Bolsonaro admitiu, em depoimento à Polícia Civil, que a arma de fogo apreendida é sua e que estava em sua residência durante o cumprimento de sua prisão. Ao delegado, Bolsonaro teria dito que “tinha três mulheres em casa" e que "não podia ficar desarmado”. Depoimento Bolsonaro presta depoimento de 5 minutos sobre arma O delegado Thiago Boeing, da 17ª Delegacia de Polícia, chegou ao condomínio onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar por volta das 14h30 e saiu de lá 40 minutos depois, às 15h10. O advogado de Bolsonaro, Paulo Cunha Bueno, acompanhou todo o depoimento. No depoimento, Bolsonaro também disse que não pediu que o militar tirasse a arma do condomínio e levasse para o conserto – e sim, que averiguasse o funcionamento da pistola. Apreensão em blitz A pistola, registrada no nome de Bolsonaro, estava no carro de um militar do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Segundo o GSI, atualmente, o militar está vinculado à Casa Civil por ser o órgão que cuida da segurança de ex-presidentes. A arma foi apreendida por não estar acompanhada do certificado de registro. O caso é investigado pela Polícia Civil do DF e acompanhado pelo STF. Investigadores ouvidos pela TV Globo apontam que, a depender dos elementos reunidos no inquérito, as condutas de Bolsonaro e do militar podem ser enquadradas em duas situações: infração administrativa: o ex-presidente e o militar possuem porte de arma, que estava devidamente registrada, mas estava sem a documentação exigida no transporteviolação do Estatuto do Desarmamento: A lei prevê que é crime "possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição de uso restrito, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar". A pena é de 3 a seis anos de prisão, além de multa. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.
Moraes manda PGR analisar se arma de Bolsonaro é 'falta grave' | G1
Pistola Glock 9mm estava em carro de militar do GSI que atua na segurança do ex-presidente.














