Levantamento coloca oito países da África e dois da Ásia entre os que a população doa percentuais mais altos do rendimento individual Os países mais pobres são onde as doações para causas sociais, humanitárias e religiosas são maiores, de acordo com o Word Giving Report 2026, um dos principais relatórios globais sobre filantropia. Mesmo cultivando uma autoimagem de ser um povo solidário, os brasileiros não figuram entre os que mais doam. O topo do ranking é dominado pela África. Neste ano, a lista é liderada pela Nigéria, com doações que representam 2,8% da renda individual. Dos dez países em que as pessoas mais doam, oito ficam no continente africano e dois estão na Ásia. Na classificação geral, o Brasil ocupa a 45ª posição, com doações que chegam a 0,9% da renda dos entrevistados, valor este que fica à frente da média da América Latina (0,7%). Os brasileiros estão à frente de países vizinhos como a Argentina (0,6%) e o Uruguai (0,4%), que apresenta a menor média da região. Tanto no ranking latino-americano quanto no do continente americano, os brasileiros perdem apenas para os hondurenhos, que destinam 1% de sua renda às doações. Levando em conta a proporção de doadores por continente, a Ásia assume a liderança com 68% dos entrevistados, seguido da África (67%), enquanto a América do Sul ocupa o último lugar da lista, com 50%. Quando a sociedade civil doa, demanda este comportamento também de empresas e famílias de alta renda” Em relação a doações por proporção de renda, o continente africano fica em primeiro lugar, com a quantidade doada equivalente a 1,6% da renda dos indivíduos. A Europa possui o menor percentual, com 0,6%. Globalmente, o estudo mapeou que 61% dos entrevistados fazem doações. No Brasil, esse dado ficou em 59%, apresentando queda em comparação com os números de 2024, quando foi registrado que 62% dos brasileiros eram doadores. Luisa Gerbase de Lima, gerente de comunicação e conhecimento do IDIS, aponta que a confiança nas instituições, a transparência e questões políticas e econômicas são fatores que influenciam diretamente nas decisões de doação da população brasileira. Lima afirma que, no Brasil, o combate às emergências climáticas e suas consequências também são um alvo importante de doações. O ano de “2024 foi o momento das grandes enchentes no Rio Grande do Sul, mas também houve casos de seca e incêndios na Amazônia e no Pantanal, então foram emergências que mobilizaram muitas doações. Já 2025 foi um ano com menos problemas”, afirma. A menor incidência de questões climáticas é um dos fatores que explicam a queda nas doações brasileiras no ano passado, pondera. O World Giving Report 2026 apontou que, dentre as causas apoiadas através das doações, as iniciativas religiosas aparecem em primeiro lugar (31%), seguidas de ações voltadas para crianças e jovens e de propostas voltadas para o enfrentamento da pobreza (ambas com 29%). O estudo verificou que o sentimento de pertencer e apoiar uma comunidade local também é um incentivo para doações, número que passou de 25% para 32% em 2025. A noção de entender a doação como um dever coletivo também aumentou, passando de 39% para 48%. Diante dessas motivações, Lima afirma que existe hoje um novo perfil de doador brasileiro, mais consciente e que demanda maior transparência e mais informação sobre como o recurso é utilizado e qual o impacto gerado por sua doação. “Se antes a gente tinha um doador muito mais emotivo, que agia por impulso para resolver uma dor e uma urgência que ele estava vendo, agora ele tem um pouco mais de consciência e olha para a doação que ele faz para uma organização, com uma perspectiva de efetivamente contribuir no longo prazo para uma causa com a qual ele se importa”, afirma. O levantamento concluiu que na média global os entrevistados destinam 1% de sua renda para doações enquanto no Brasil, a média foi de 0,9%. Lima afirma que existe um potencial para que esses números aumentem ainda mais, mas para isso é necessária uma mudança na cultura de doação do brasileiro, que pode ser estimulada pelo apoio governamental ou das empresas “Quando uma empresa doa, ela estimula a sociedade civil a doar. Quando a sociedade civil doa, ela também demanda este comportamento das empresas, das famílias de alta renda. Então, é um ciclo virtuoso”, defende Lima. A pesquisa é realizada anualmente pela Charities Aid Foundation (CAF) para mostrar a porcentagem da renda individual que cada país destina para a doação. A CAF é uma organização britânica representada no Brasil pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS). O levantamento ouviu mais de 60 mil pessoas em 105 países com o objetivo de entender quais fatores influenciam nas decisões de doar e como os indivíduos apoiam causas de interesse público.
Países pobres fazem mais doações; Brasil é o 45º do ranking
Levantamento coloca oito países da África e dois da Ásia entre os que a população doa percentuais mais altos do rendimento individual











