Um crime que silenciou uma figura-chave do submundo da República, chegou aos tribunais depois de 17 anos e foi encerrado na esfera judicial após 22 anos segue como um enigma na história política brasileira.
Na madrugada de 23 de junho de 1996, o empresário Paulo César Farias e sua então namorada Suzana Marcolino foram encontrados mortos na cama de uma casa na praia de Guaxuma, em Maceió. Desde então, o caso foi alvo de sucessivas perícias, motivou disputas entre especialistas e teve um inquérito anulado.
O episódio completa 30 anos nesta terça-feira (23) com o processo judicial encerrado sob a tese de duplo homicídio, nenhuma pessoa punida e a memória em torno de seus personagens em disputa.
Empresário com trânsito livre nos círculos políticos e econômicos do país, PC Farias foi um dos homens mais influentes do governo Fernando Collor de Mello, político de carreira meteórica que chegou à Presidência aos 40 anos na primeira eleição para o cargo após a redemocratização.
PC foi tesoureiro da campanha de Collor em 1989, manteve a influência durante o governo e se tornou personagem central dos escândalos de corrupção que levaram Collor ao impeachment em 1992. O alagoano baixinho, careca e com um vasto bigode sairia das sombras para ganhar os holofotes.











