Allane Pedrotti e Layse Pinheiro foram mortas, no fim de novembro do ano passado, na unidade do Maracanã, pelo colega João Antônio Miranda Tello Ramos, que se suicidou 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Professora Allane Pedrotti (à esquerda) e a psicóloga Layse Pinheiro (à direita), mortas no Cefet do Maracanã — Foto: Reproduções RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/06/2026 - 19:59 Familiares de Vítimas no Cefet-RJ Cobram Ação de Diretores por Omissão em Caso de Feminicídio Familiares de Allane Pedrotti e Layse Pinheiro, vítimas de um crime no Cefet-RJ, buscam responsabilizar diretores por omissão após o colega João Antônio Miranda Tello Ramos, que se suicidou, matá-las em novembro passado. Apesar do pedido de arquivamento, a investigação continua. O MP requer análise de vínculos do criminoso com comunidades misóginas e análise de dados dos celulares envolvidos. Documento comprova que a direção do Cefet foi alertada sobre as ameaças, mas não agiu. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Cinco meses após pedir ao Ministério Público o arquivamento do caso sobre as mortes de duas funcionárias do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ), em 28 de novembro do ano passado, a Polícia Civil segue investigando o caso, conforme nota da assessoria de imprensa. Segundo a defesa das famílias das vítimas, o MP quer que seja investigado ainda o suicídio do criminoso, bem como sua possível ligação com comunidades na internet que instigam a misoginia. Também teria sido determinada pela Promotoria a perícia para extração de dados dos celulares das vítimas e do atirador. O pedido de arquivamento teria sido rejeitado com base em uma petição encaminhada ao Ministério Público com documentos, comprovando que a instituição tinha conhecimento da perseguição sofrida pelas funcionárias. Por conta disso, os parentes cobram a responsabilização de diretores da instituição, por omissão. A pedagoga Allane de Souza Pedrotti Matos e a psicóloga Layse Costa Pinheiro foram mortas pelo colega João Antônio Miranda Tello Ramos Gonçalves, que se matou em seguida. Os três trabalhavam no campus do Cefet/RJ no Maracanã, na Zona Norte do Rio. No começo de janeiro deste ano, pouco mais de um mês após iniciadas as investigações, a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) enviou o relatório final ao Ministério Público pedindo o arquivamento do inquérito, alegando que a morte do autor do crime extinguia a punibilidade. Mas, para João Gabriel Costa Pinheiro, irmão de Layse, ainda há o que ser investigado: — Seria uma dupla violação perder minha irmã e, além de tudo, ver a injustiça e a irresponsabilidade saírem impunes. A gente espera que a investigação, seja na esfera estadual ou federal, leve a um esclarecimento dos fatos e à responsabilização de quem potencialmente cometeu crimes ali ao ser negligente e se omitir de tomar decisões. Ameaças recebidas Segundo João Gabriel, tanto Allane como sua irmã, Layse, inúmeras vezes reportaram à direção do Cefet o medo que sentiam, por conta das ameaças recebidas. Anexadas ao processo, há várias trocas de mensagens das vítimas com colegas e também com a direção da instituição, em que falam do temor de sofrerem um ataque por parte de João. “Em uma ocasião em que fui ao banheiro, cheguei a esbarrar com ele em um corredor e minha pressão baixou, provavelmente pelo medo da natureza daquela perseguição em saber onde eu estava e querer me encontrar pessoalmente de todas as formas”, escreveu Allane em trecho de uma carta-denúncia que, segundo a irmã dela, teve como destinatários a direção-geral e a corregedoria do Cefet. O documento tem data de 16 de agosto de 2024, um ano e três meses antes do crime. —Tendo ele (João) um histórico de perseguição às duas vítimas e tendo a direção e a corregedoria (do Cefet) recebido essas denúncias, o dever da gestão seria primeiro monitorá-lo e depois proteger as vítimas. Nada foi feito — reclama Alline de Souza Pedrotti, irmã de Allane, que também se queixa da falta de um protocolo de segurança para impedir que esses casos se repitam. Segundo relatos, no dia do crime o atirador chegou à escola pela manhã e cumprimentou todos normalmente. À tarde, por volta das 17h, entrou na direção e efetuou os disparos, acertando as duas mulheres, que trabalhavam na diretoria de ensino. Em seguida, se matou. Na delegacia, testemunhas relataram que João não aceitava ser chefiado por mulheres. O caso foi investigado como feminicídio. Procurado, o Cefet/RJ enviou cópias de documentos do Ministério Público Federal comprovando arquivamento do inquérito civil, após a instituição apresentar documentação e prestar os esclarecimentos acerca dos protocolos de segurança, das ações de prevenção à violência e do acompanhamento psicossocial oferecido aos servidores. A nota diz ainda que a investigação criminal segue sob investigação da Polícia Civil. O MPRJ também foi procurado, mas não havia respondido até o fechamento desta edição. Já a Polícia Civil respondeu apenas que a investigação está em andamento na DHC.
Parentes de vítimas de crime no Cefet querem que diretores respondam por omissão; investigação prossegue após pedido de arquivamento
Allane Pedrotti e Layse Pinheiro foram mortas, no fim de novembro do ano passado, na unidade do Maracanã, pelo colega João Antônio Miranda Tello Ramos, que se suicidou







