Ao menos três parlamentares apontaram misoginia e crimes de ódio, além de cobrarem ações das redes sociais para coibir agressores 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Maria Eduarda Rodrigues — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/06/2026 - 15:04 Deputadas pedem investigação sobre incitação de crimes de ódio após morte em rope jump As deputadas federais Erika Hilton, Tabata Amaral e Talíria Petrone pedem investigação sobre posts que incitam necrofilia e estupro contra Maria Eduarda Rodrigues, morta em um salto de rope jump. Elas destacam misoginia e crimes de ódio, cobrando ações das redes sociais. Os responsáveis pelo salto foram presos por homicídio com dolo eventual. A tragédia reacende debates sobre segurança e responsabilidade. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO As deputadas federais Erika Hilton (PSOL-SP), Tabata Amaral (PSB-SP) e Talíria Petrone (PSOL-RJ) pediram investigações sobre posts nas redes sociais que relacionam a jovem Maria Eduarda Rodrigues, morta após ser lançada sem as cordas em um salta de rope jump neste final de semana, à incitação da prática de necrofilia e estupro. As parlamentares divulgaram perfis que publicaram fotos da vítima e sugeriram haver "uma festa" no Instituto Médico Legal (IML) a partir do vilipêndio do cadáver. Erika informou, nesta segunda-feira, ter acionado a Polícia Federal (PF). Ela definiu como "tenebrosa" a possibilidade de tecer tais comentários nas redes sem que as plataformas digitais atuem para coibir os agressores. "Isso é misoginia, isso é incitação e isso é crime. Um crime cometido pela internet e cuja responsabilidade de investigação recai sobre a PF. Não podemos permitir que a falta de moderação e de responsabilidade das big techs, que lucram bilhões de dólares, continue a normalizar tantos horrores", escreveu a parlamentar. As publicações repercutidas pela deputada mostram perfis que fizeram publicações como "se juntar direitinho as peças dá para se divertir" e "vou fazer concurso para o IML". Na mesma linha, Tabata entrou com uma ação no Ministério Público Federal (MPF) voltada para apuração de crimes de ódio cibernéticos. Ela lamentou que Maria Eduarda tem sido vítima de comentários misóginos e afirmou que "nem mesmo no leito de morte, nós, mulheres, temos paz". A deputada definiu os autores das agressões como "criminosos que reduziram a imagem de Maria Eduarda a um objeto de deboche e crueldade". Segundo a parlamentar, há anuência das redes sociais na proliferação de discursos de violência contra mulheres. "É por isso que precisamos, de uma vez por todas, criminalizar o ódio às mulheres, como estamos propondo no PL da Misoginia. Não podemos permitir que esses covardes sigam impunes", defendeu. Além de comentários como "IML em festa", outros perfis também ironizaram o fato "de mulheres que se acham deusas" não merecerem "pena" por uma morte trágica. Outra parlamentar que se manifestou foi a deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ). A parlamentar também argumentou ser preciso criminalizar a misoginia "com urgência", além de frisar que o conteúdo publicado nas redes foi coletado e denunciado à PF "para que as medidas necessárias sejam aplicadas". "Nem mesmo após a morte as mulheres são respeitadas. Não bastasse a dor da perda, perfis no Twitter agora fazem comentários nojentos sobre abuso sexual de seu cadáver", publicou a deputada. Entenda o caso Formada em Educação Física, Maria Eduarda morreu ao cair de uma altura de cerca de 40 metros na chamada Ponte do Esqueleto, na zona rural de Limeira (SP). Imagens gravadas por participantes mostram o momento em que ela é carregada por três instrutores até a plataforma e lançada na modalidade conhecida como “aviãozinho”. No entanto, a jovem não estava conectada às cordas de segurança. Logo após o salto, testemunhas aparecem em desespero ao perceberem a falha. Os responsáveis pelo lançamento — Luis Felipe Feliciano Egoroff, Vitor de Freitas Gonçalves e Maicon Fernandes Cintra, que atuavam por meio de marcas informais, como “Ih voei” e “Entre cordas” — foram presos em flagrante por homicídio com dolo eventual, acusação mantida após a conversão da prisão em preventiva. De acordo com a investigação, não havia uma empresa formalmente constituída e regulamentada por trás da atividade. Para a delegada, os organizadores operavam de forma autônoma e utilizavam as marcas divulgadas nas redes para promover os saltos. Após a repercussão da tragédia, os perfis associados ao grupo deixaram de estar disponíveis na internet. A defesa dos três investigados sustenta que eles possuem ampla experiência na realização de atividades de aventura e argumenta que esta teria sido a primeira morte registrada em sua trajetória profissional. Local da queda que matou jovem Maria Eduarda Rodrigues, de 21 anos, em salto de rope jump em Limeira (SP) — Foto: Editoria de Arte A apuração também indica que Maria Eduarda pagou R$ 180 pela experiência e desembolsou outros R$ 150 para que o salto fosse filmado com uma câmera 360 graus. O equipamento, que aparecia nas mãos da jovem momentos antes da queda, ainda não foi localizado pelos investigadores. Moradora de Jandira, na Grande São Paulo, Maria Eduarda trabalhava em uma academia e costumava compartilhar nas redes sociais registros ligados a esportes, natureza e bem-estar. Horas antes do acidente, publicou uma foto em frente a placas que alertavam para o risco de morte no local. Em uma postagem feita pouco antes do salto, escreveu em tom de brincadeira: “Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte?”. Após sua morte, o perfil da jovem também foi retirado do ar. A Ponte do Esqueleto, estrutura ferroviária inacabada que hoje pertence à União, acumula histórico recente de acidentes. Em 2024, uma ciclista morreu após cair do viaduto, enquanto outras duas mulheres ficaram gravemente feridas em ocorrências registradas nos meses anteriores. A prefeitura de Limeira e a Secretaria de Patrimônio da União divergem sobre a responsabilidade pela fiscalização e pelo controle de acesso ao local.
'Festa no IML': deputadas pedem investigação após incitação de estupro e necrofilia contra jovem morta em rope jump
Ao menos três parlamentares apontaram misoginia e crimes de ódio, além de cobrarem ações das redes sociais para coibir agressores








