Uma investigação iniciada há quase cinco anos pela polícia de São Paulo ainda não conseguiu esclarecer se a morte de um empresário de 31 anos foi um caso de suicídio ou homicídio e, o mais intrigante, se o corpo enterrado é, de fato, da pessoa cujo nome consta na certidão de óbito. O caso envolve ainda apólices de seguro que somam cerca de R$ 85 milhões.

José Matheus Silva Gomes foi encontrado ferido por policiais militares no início da tarde de 2 de julho de 2021, em Jandira (SP), no banco traseiro de um Volkswagen Jetta blindado. Para a perícia, a cena indicava um atentado contra a própria vida: havia uma pistola próxima ao corpo, um único disparo na têmpora e nenhum sinal de luta ou resistência.

O empresário foi levado a um hospital de Osasco, onde morreu. Exames feitos pelo IML (Instituto Médico Legal) reforçaram a hipótese de suicídio. A possibilidade de homicídio, porém, não foi completamente descartada pelos peritos porque não havia testemunha ou imagens de câmeras de segurança para saber o que exatamente ocorreu. Por isso, a polícia instaurou um inquérito.

A investigação seguia seu curso normal até dezembro de 2021, quando a polícia decidiu reclassificar o caso de suicídio para homicídio doloso, mesmo sem ter suspeitos em mira. A mudança, comum na rotina policial, abriu caminho para a inclusão de novas informações, ampliando as dúvidas sobre o episódio. A maior interessada na reviravolta é a Prudential, principal seguradora do empresário.