Agentes cumprem mandados de busca e apreensão contra suspeitos de se aproveitar da fragilidade da vítima, já morta, para assumir o controle de empresas e movimentar altos valores Um policial civil durante as buscas — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 01/06/2026 - 07:27 Operação investiga desvio de fortuna de empresário com câncer terminal A Operação Último Suspiro, deflagrada pela Delegacia de Defraudações, investiga um grupo que desviou uma fortuna de um empresário com câncer terminal, explorando sua fragilidade para controlar empresas e movimentar grandes somas. Suspeitos, incluindo policiais e advogados, são alvo de mandados de busca. O esquema envolvia falsificação de documentos e criação de empresas para dificultar o rastreamento dos valores desviados. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Policiais civis da Delegacia de Defraudações (DDEF) deflagraram, nesta segunda-feira, a Operação Último Suspiro, que mira grupo responsável por desviar fortuna de empresário com câncer em estágio terminal por meio de um esquema criminoso de fraude envolvendo precatórios milionários. Os agentes cumprem mandados de busca e apreensão contra suspeitos de se aproveitar da fragilidade da vítima, já morta, para assumir o controle de empresas e movimentar altos valores. Os alvos — entre eles policiais militares e escritórios de advocacia — são investigados por crimes de estelionato, associação criminosa, apropriação indébita e falsidade ideológica. — Existe uma pessoa jurídica vinculada ao falecido que tinha a participação nessa pessoa jurídica desse policial militar. Nós estamos procurando entender qual era a magnitude, a dimensão da atuação dele nessa pessoa jurídica. É por isso que ele é alvo da operação de hoje. As diligências, que contam com apoio de policiais do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE), ocorrem no Centro e nas zonas Sul, Sudoeste e Norte do Rio. — A ação de hoje foi realizada com o objetivo de dar cumprimento a 22 mandados de busca expedidos pelo Poder Judiciário. Esses mandados de busca têm como objetivo arrecadar aparelhos telefônicos e eletrônicos dos envolvidos para instrumentalizar a investigação que está em curso aqui na Delegacia de Defraudações. Essa investigação visa a apurar as circunstâncias em que houve transferências de valores, outorgas de procuração, mudanças, alterações no quadro societário de duas empresas que pertenciam ao falecido empresário Oswaldo Rodrigues Vieira Filho — detalhou ao Bom dia Rio o delegado Marcos Buss, titular da Delegacia de Defraudações (DDEF). As investigações revelaram indícios de um sofisticado esquema criminoso em que o grupo atuava para assumir de forma indevida o controle de empresas detentoras de precatórios de elevado valor econômico. As alterações societárias consideradas suspeitas ocorreram três meses antes da morte do empresário. De acordo com as apurações, o controle de empresas titulares desses créditos judiciais foi transferido para pessoas ligadas aos investigados. Paralelamente, novas pessoas jurídicas teriam sido criadas para movimentar recursos financeiros e dificultar o rastreamento da origem e do destino dos valores. Outro elemento que chamou a atenção foi a cessão de parte de um precatório avaliado em aproximadamente R$ 38,5 milhões para escritórios de advocacia poucos dias antes de o empresário morrer. Além disso, um testamento teria sido lavrado cerca de duas horas antes do óbito, atribuindo a uma das investigadas papel de testamenteira, inventariante e beneficiária do patrimônio. Os agentes identificaram que, apenas sete dias após a morte da vítima, mais de R$ 1,1 milhão foram depositados na conta da investigada, valor que teria origem em créditos relacionados aos precatórios. — Ele tinha duas pessoas jurídicas, ele era administrador dessas pessoas jurídicas, e essas pessoas jurídicas tinham créditos oriundos de precatórias judiciais, créditos milionários. Para ter uma ideia, apenas um crédito que foi efetivamente repassado aos investigados totalizava R$ 38,5 milhões. Houve outras transferências. Então o que nós estamos tentando verificar com as buscas de hoje é em que circunstâncias essas pessoas se aproximaram do falecido. Em que circunstâncias esses documentos, essas procurações, essas alterações contratuais foram realizadas, tendo em vista que a notícia que se tem, inclusive com base em pareceres médicos, é de que o falecido, pouco antes de sua morte, não tinha capacidade de compreensão e de manifestação da vontade — afirmou o delegado. Marco Buss diz que o que se pretende é saber como esses documentos foram lavrados, como essa aproximação aconteceu. — Houve um testamento que foi celebrado poucas horas antes da morte, antes do óbito, e circunstâncias que estão sendo apuradas também, porque circunstâncias absolutamente inusuais, com testemunhas relacionadas aos alvos. O trabalho investigativo da DDEF durou meses e identificou ainda indícios da utilização de documentos com assinaturas falsificadas, além da concessão de amplos poderes de representação a integrantes do grupo investigado pouco antes da morte da vítima. O objetivo da ação desta segunda é cumprir mandados de busca e apreensão e arrecadar materiais que possam esclarecer a dinâmica financeira do esquema, além de contribuir para a responsabilização de todos os envolvidos.