PUBLICIDADE Segundo o Ministério Público, grupo movimentou mais de R$ 116 milhões entre os anos de 2020 a 2025 Fachada principal da Cidade da Polícia, na Zona Norte do Rio — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/06/2026 - 09:45 Operação Riqueza Sombria desmantela esquema milionário do Comando Vermelho A Operação Riqueza Sombria, deflagrada pela 96ª DP no Rio, mira um esquema de lavagem de dinheiro do Comando Vermelho, movimentando R$ 116,6 milhões entre 2020 e 2025. A ação ocorre em quatro estados, incluindo fronteira com o Paraguai. Foram cumpridos 18 mandados, com duas prisões e apreensões. O esquema usava "laranjas" e técnica de "smurfing" para ocultar a origem ilícita dos fundos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A 96ª DP (Miguel Pereira) deflagrou, nesta terça-feira, a Operação Riqueza Sombria, que mira um grupo criminoso especializado na lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas da facção Comando Vermelho (CV). As investigações revelaram movimentações de R$ 116,6 milhões e apontaram ramificações da organização criminosa no Rio de Janeiro, em Mato Grosso do Sul, em São Paulo e em Minas Gerais. Agentes estão nos quatro estados e visam a cumprir 18 mandados de busca e apreensão contra os investigados. Duas pessoas foram presas e foram realizadas as apreensões de uma arma, celulares e equipamentos eletrônicos. No Rio, os mandados são cumpridos em Cabo Frio, município na Região dos Lagos, e no bairro do Jacaré, na Zona Norte da capital. As equipes atuam ainda em Campo Grande, Dourados e Sete Quedas, em Mato Grosso do Sul; Ribeirão Preto e Orlândia, em São Paulo; e Formiga, em Minas Gerais. A investigação sobre o grupo começou a partir de informações coletadas em uma operação realizada em julho de 2020 na Comunidade do Tatão, em Anchieta, Zona Norte do Rio. Na ocasião, os policiais apreenderam drogas, rádios de comunicação, uma arma falsa e comprovantes bancários. Smurfing A análise dos comprovantes revelou um padrão de depósitos realizados em agências bancárias próximas a áreas dominadas pelo CV, especialmente na região do Complexo do Chapadão, também na Zona Norte carioca. As movimentações ocorriam de forma fracionada, técnica conhecida como smurfing, usada para dificultar a identificação pelos sistemas de controle financeiro. De acordo com as apurações, os valores coletados com a venda de entorpecentes no Rio eram pulverizados em dezenas de depósitos em dinheiro e direcionados para contas de pessoas físicas e empresas de fachada utilizadas como "laranjas". Posteriormente, os recursos eram redistribuídos e reinseridos no sistema financeiro formal, dificultando o rastreamento de sua origem ilícita. Segundo o Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ), as contas nas quais o dinheiro do tráfico do Rio ficavam em cidades localizadas na faixa de fronteira com o Paraguai. Os Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) revelaram que os principais beneficiários estavam concentrados no município de Sete Quedas, no Mato Grosso do Sul, cidade que faz limite direto com o Paraguai e é considerada estratégica nas rotas do tráfico internacional de drogas e armas. Os agentes identificaram que, embora os investigados declarassem baixa renda econômica, eles movimentavam cifras incompatíveis com sua realidade financeira. Os 116,6 milhões foram movimentados entre 2017 e 2021, de acordo com a apuração policial. Um dos investigados chegou a receber 54 depósitos em espécie, totalizando quase R$ 68 mil, em um espaço de tempo de quatro anos. A operação desta terça-feira tem como objetivo identificar todos os integrantes da rede criminosa, aprofundar a análise patrimonial dos alvos e responsabilizar criminalmente os envolvidos. A ação conta com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e das Polícias Civis de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, além do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPRJ, carioca e sul-mato-grossense.