Operação investiga se fintechs movimentaram R$ 26 bilhões de facções criminosas

Na manhã desta quinta-feira (28), em São Paulo, a Receita Federal e o Ministério Público deflagraram a segunda fase da Operação Carbono Oculto. A força-tarefa investiga fintechs suspeitas de lavar dinheiro do PCC. Relatórios de inteligência apontam movimentações financeiras de quase R$ 26 bilhões.

As buscas e apreensões incluíram prédios da Faria Lima, o principal centro financeiro do país, e chegaram a mais quatro estados: Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. A ação reuniu instituições do estado de São Paulo - Secretaria da Fazenda, Ministério Público, Procuradoria-Geral e as polícias Civil e Militar. A Receita Federal e a Agência Nacional do Petróleo também participaram. Essa foi a segunda fase da Operação Carbono Oculto - que, em agosto de 2025, expôs como o crime organizado usava o sistema financeiro para lavar dinheiro. Uma atividade que não parou.

"A operação de hoje mostra esse sofisticado esquema, continuidade de um sofisticado esquema de fraude criminoso e lavagem de dinheiro”, afirma Paulo Sérgio Costa, procurador-geral de Justiça de SP.

Segundo os promotores, de lá para cá, o grupo retomou o esquema mesmo sabendo que estava sob investigação. Desde a operação anterior, os bandidos abriram empresas em nome de outros laranjas, incluindo pessoas em situação de rua e até presos condenados, e buscou novas fintechs. Segundo os investigadores, o dinheiro de postos de combustíveis controlados pelos bandidos entrava em uma conta-bolsão - uma conta aberta por uma instituição de pagamento, em um banco tradicional, onde eram depositados valores de diferentes clientes. Assim, a origem, o destino e os reais donos do dinheiro ficavam ocultos.