Um esquema criminoso envolvendo fraudes no setor de combustível foi desmantelado nesta quinta-feira 28 durante operação de realizada pelo Ministério Público de São Paulo juntamente com a Receita Federal, Agência Nacional do Petróleo (ANP) e outros órgãos. As investigações apontam que crimes que tinham sido detectados durante a operação Carbono Oculto, de agosto de 2025, continuaram sendo cometidos mesmo depois da operação. A Operação Fluxo Oculto, deflagrada nesta quinta, teve como alvo seis fintechs que, segundo os promotores, substituíram empresas do setor financeiro que tinham sido identificadas na Carbono Oculto como participantes de um arranjo voltado a ocultar capital do crime. Outro foco da operação desta quinta foi a adulteração de combustível com uso de nafta. Segundo as investigações, dois dos principais alvos da Carbono Oculto – Mohamad Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva – teriam mantido alguma atuação (mesmo foragidos da polícia) para que o esquema de fraudes seguisse em funcionamento. Trata-se de um esquema por meio do qual carregamentos de nafta eram adquiridos por empresas que alegavam que usariam a substância como insumo para a indústria. Diversos setores industriais se utilizam de nafta e desfrutam de uma carga de imposto mínima – um benefício pensado para não encarecer processos industriais no país. No entanto, apenas no papel, os carregamentos de nafta eram destinados à indústria. Muitas das empresas que supostamente eram as compradoras de nafta, segundo mostraram as investigações, pertenciam – também apenas ano papel – a pessoas de baixa renda, várias delas beneficiárias do Bolsa Família. Os reais destinatários eram postos de combustíveis de cidades do Estado de São Paulo que diluíam nafta com gasolina ou diesel. Ou, sem que os clientes soubessem, vendiam nafta como se fosse combustíveis autorizados. O esquema permitia ganhos elevados porque o nafta comprado como insumo da indústria é submetido a uma taxação muito menor do que a carga de impostos que incide sobre combustíveis. Os ganhos auferidos com a fraude eram, então, enviados para fundos de investimento. Uma das razões que levaram o Ministério Público rejeitar a proposta de delação premiada de Mourad e de Silva foi que eles não teriam citado elementos que depois vieram à tona com a operação desta quinta. “Ficou sob a prerrogativa do procurador-geral a proposta anterior de delação. A operação de hoje, em algum aspecto, ela justifica porque esse fato [a delação] não aconteceu, uma vez que foram suprimidas informações que hoje estão sendo confirmadas”, disse a jornalistas o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa. A decisão judicial que embasou a Operação Fluxo Oculto, no entanto, não cita os nomes de Mourad e Silva. João Paulo Gabriel, um dos promotores à frente da Fluxo Oculto, disse que depois da Carbono Oculto os criminosos reciclaram suas ações. “Essa organização criminosa se reestruturou após a operação. Nós tínhamos identificado pelo menos três fintechs e ela [organização criminosa] passou a usar mais seis fintechs depois da operação [Carbono Oculto, de 2025]”, disse. Segundo ele, uma das movimentações identificadas pelas investigações mostrou que R$ 4 bilhões foram transferidos de fintechs que foram apanhadas no ano passado para fintechs que, segundo as investigações, as substituíram no esquema e que foram apanhadas agora. “Ou seja, dinheiro saindo das fintechs que foram alvo da primeira fase para essas fintechs que foram alvo da segunda fase”, disse o promotor. Procurador-geral de Justiça do Estado de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa — Foto: Divulgação/MP-SP