Investigação apura uso de fintechs, empresas-fantasma e lavagem de dinheiro no setor em desdobramento de apuração iniciada no ano passado Gaeco — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/05/2026 - 06:47 Operação Fluxo Oculto: Gaeco combate fraudes em fintechs e combustível O Ministério Público de São Paulo, através do Gaeco, deflagrou a Operação Fluxo Oculto, que foca em fraudes no setor de combustíveis envolvendo fintechs e lavagem de dinheiro. A operação, desdobramento da Carbono Oculto, cumpre 55 mandados em quatro estados, mirando seis fintechs e um esquema de desvio de nafta. As investigações apontam uso de empresas-fantasma e crescimento patrimonial suspeito de R$ 205 milhões. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Ministério Público de São Paulo (MPSP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou na manhã desta quinta-feira a Operação Fluxo Oculto, que investiga fraudes, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro ligadas ao setor de combustíveis. A ação reúne órgãos estaduais e federais e aprofunda apurações iniciadas na Operação Carbono Oculto, que revelou o avanço do crime organizado no mercado de combustíveis e em estruturas financeiras associadas ao setor. Participam da operação a Receita Federal, a Agência Nacional do Petróleo (ANP), a Secretaria da Fazenda de São Paulo, a Procuradoria-Geral do Estado e as polícias Militar e Civil. Segundo as instituições envolvidas, o objetivo é apreender provas, identificar novos integrantes do esquema e avançar no desmantelamento da estrutura investigada. Ao todo, estão sendo cumpridos 55 mandados de busca e apreensão, com apoio dos Gaecos dos Ministérios Públicos do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná. Nesta etapa, a investigação concentra esforços em duas frentes principais: seis fintechs identificadas após a Operação Carbono Oculto e um esquema de adulteração de combustíveis ligado ao desvio de nafta petroquímica. Investigação aponta fintechs como ‘bancos paralelos’ Segundo o Ministério Público, a Operação Carbono Oculto permitiu identificar seis fintechs que funcionariam como "bancos paralelos da organização criminosa". De acordo com a investigação, essas instituições integravam um núcleo financeiro usado para compensações internas entre distribuidoras e postos de combustíveis, além de operações envolvendo empresas e fundos de investimento ligados ao grupo investigado. O sistema também serviria, segundo a apuração, para pagamento de colaboradores e despesas pessoais dos operadores apontados como integrantes centrais do esquema. A investigação conduzida pelo Gaeco e pela Receita Federal identificou ainda mecanismos de ocultação patrimonial semelhantes aos observados em outras frentes de combate ao crime financeiro, incluindo o uso de instituições de pagamento e fundos de investimento para esconder os beneficiários reais das operações. Segundo o MPSP, foram identificados quatro fundos de investimento sob investigação, além de duas administradoras de recursos e duas gestoras. O patrimônio estimado dos fundos chega a cerca de R$ 205 milhões. Em pouco mais de um ano, o crescimento patrimonial teria superado 200%. Desvio de nafta e empresas-fantasma entram na mira Outra frente da Operação Fluxo Oculto envolve o desvio de nafta petroquímica, matéria-prima derivada do petróleo usada pela indústria química. O Ministério Público denunciou um núcleo investigado por direcionar o material a terminais e postos de combustíveis. A apuração, realizada em conjunto com a ANP, identificou uma estrutura de falsidades baseada na simulada venda de solventes para empresas-fantasma. Segundo a denúncia, o grupo mantinha um esquema de abertura em série de empresas em diferentes estados do país. Para isso, utilizaria parentes, pessoas em situação de vulnerabilidade social e até presos como responsáveis formais por companhias que, oficialmente, comprariam solventes. Na prática, segundo a investigação, os produtos eram desviados para a Grande São Paulo. O Ministério Público afirma que esta nova etapa amplia a compreensão do "ecossistema criminoso" associado às organizações investigadas, com foco nos mecanismos de lavagem de dinheiro considerados fundamentais para garantir poder econômico, continuidade operacional e expansão do esquema. Segundo as instituições envolvidas, as estruturas identificadas utilizavam o mesmo "balcão financeiro" já apontado na Operação Carbono Oculto, compartilhando canais de movimentação financeira, técnicas de lavagem de capitais, fintechs e fundos de investimento ligados ao grupo investigado.