Trinta anos se passaram, mas Susana Rodrigues Gonçalves, 43, ainda não sabe responder à pergunta que a acompanha desde a adolescência: por que o pai matou a mãe?
Ela tinha 13 anos na noite de Natal de 1996 quando viu Cícera Rodrigues Gonçalves, 30, ser assassinada com quatro disparos à queima-roupa. O autor do crime era José Felinto Gonçalves, pai de Suzana e marido da vítima.
Gonçalves fugiu correndo após o crime e, somente no final de maio deste ano, três décadas depois, foi condenado pela Justiça. Ele recebeu uma punição de 16 anos e quatro meses de prisão, mas, por razões humanitárias, segundo a sentença, o cumprimento da pena será realizado em regime domiciliar. Aos 68 anos, sofre de Parkinson e hipertensão arterial sistêmica. A legislação prevê o benefício em casos de doenças graves.
"A Justiça humana é falha, mas a de Deus, não", disse Susana à Folha, logo após saber da sentença.Depois da morte da mãe, Suzana e seus quatro irmãos menores foram criados por parentes. Na noite do crime, a família passava o Natal na casa de uma tia, na zona leste de São Paulo, e o pai, após beber várias cervejas, havia saído para encontrar amigos em um bar.
Mãe e filha, que haviam chegado da igreja, o viram conversando com uma mulher. Cícera foi ao seu encontro e voltou alguns minutos depois. O marido veio logo atrás e a ameaçou: "Você quer morrer? Quer que eu atire em você?". Em seguida, sacou a arma, encostou-a no pescoço da mulher e efetuou os disparos. Um último tiro ainda foi dado quando ela já estava caída no chão.







