O único poeta que me fez chorar foi João Cabral de Melo Neto. Primeiro, quando li "O Cão sem Plumas". Segundo, quando naveguei no Capibaribe, no último final de semana.

Pois estou em Recife e realizei esse sonho com meus melhores amigos pernambucanos. Vi o anoitecer dentro da água densa, morna e espessa deste rio que cresce sem nunca explodir.

Eu comecei a amar Pernambuco ainda criança, quando pedi de presente uma viagem para ver a Paixão de Cristo em Nova Jerusalém, nos anos 1980. Nunca me esqueci dos fogos de artifício quando Jesus vai pro céu. E de correr de um lado pro outro para ver as cenas e os milagres. Era tanta areia subindo nos passos da multidão que parecia mesmo a Terra Santa transmutada.

Quando voltei, depois de adulta, fui entendendo mais coisas, conhecendo mais lugares e o léxico próprio do lugar. Por exemplo, um bairro chamado Brasília Teimosa. E uma praia conhecida como Buraco da Velha, nomeada por causa de uma senhora que quebrou um buraco em um muro que tentava impedir a comunidade de tomar banho de mar. Como imaginaram impedir acesso ao mar justo ao pernambucano?

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