No final de semana passado, enquanto as câmeras se concentravam em um octógono montado na Casa Branca, uma conta muito mais cara começava a chegar ao resto do mundo. A guerra contra o Irã custou bilhões e, caso continuasse, a estimativa seria de trilhões de dólares. A negociação exigiu muita diplomacia. O cessar-fogo exigiu meses de conversas. Mas a imagem que provavelmente circulará mais pelo planeta será o da luta de MMA.O acordo anunciado encerra a fase militar mais intensa do conflito, reabre o Estreito de Ormuz e leva a uma nova rodada de negociações. Mas os objetivos estratégicos de longo prazo de cada lado continuam em disputa.Guerra dos EUA e de Israel contra o Irã trouxe redução relevante do crescimento global, aumento da inflação mundial e risco de recessão em economias emergentes (na foto, fiéis iranianos oram no campus da Universidade de Teerã, nesta sexta-feira, 19) Foto: Vahid Salemi/APPUBLICIDADEAs guerras modernas não são apenas caras para quem atira. Elas são caras para quem produz, transporta, investe, financia e consome. O custo deixa de ser militar e passa a ser sistêmico. A conta não chega apenas aos governos — ela aparece no preço da gasolina, dos alimentos, dos fertilizantes, dos juros e do crescimento econômico. Em um mundo interdependente, a guerra deixou de ser um problema regional. Tornou-se um imposto global sobre a incerteza.Durante anos acreditou-se que a revolução do shale americano, as energias renováveis e a diversificação energética haviam reduzido a importância estratégica da região do Oriente Médio. Bastaram alguns meses de conflito e o fechamento do estreito para o petróleo disparar, cadeias logísticas serem interrompidas e governos mobilizarem reservas estratégicas.PublicidadeA guerra mostrou que o mundo continua dependente daquela região, mas agora descobriu que também é dependente da estabilidade geopolítica. Segundo o Pentágono, o custo direto da guerra para os EUA atingiu US$ 29 bilhões em maio. Mas diversos analistas consideram esse número conservador. Algumas estimativas independentes já apontam custo total americano próximo de US$ 70 bilhões. Para a economia mundial, as estimativas citadas em estudos recentes sugerem a redução relevante do crescimento global, aumento da inflação mundial, risco de recessão em economias emergentes e, o pior, até 45 milhões de pessoas a mais levadas à insegurança alimentar caso o conflito persistisse. O Instituto para Economia e Paz estimou que uma retomada da guerra poderia custar US$ 2,2 trilhões à economia mundial. Talvez a Copa esteja ocupando espaço não porque o mundo tenha deixado de se preocupar com a guerra, mas porque o futebol oferece algo que a geopolítica já não consegue entregar. Em campo, alguém vence. Nesta guerra, os EUA proclamam sucesso, o Irã celebra sua sobrevivência e os mercados respiram aliviados. Mas o mundo ficou mais inseguro e ninguém consegue apontar um vencedor inequívoco. O futebol distribui taças. A geopolítica distribui custos. Publicidade
As guerras modernas não são caras apenas a quem atira, mas para quem produz, investe e consome
Os EUA proclamam sucesso, o Irã celebra a própria sobrevivência e os mercados respiram aliviados, mas não há um vencedor inequívoco. O futebol distribui taças; a geopolítica, custos
Conflito Iran custou US$70 bilhões aos EUA e até US$2,2 trilhões globalmente, transformando guerras em imposto sistêmico sobre supply chain, energia e inflação. Tech leaders devem integrar geopolitical risk em decisões de sourcing, investimento e GTM strategy.














