O acordo demorou muito para sair —tempo demais para muitos iranianos. Bombas americanas e israelenses danificaram sua infraestrutura e indústria; navios de guerra americanos bloquearam seus portos.
O memorando de entendimento entre os Estados Unidos e o Irã estabelece 60 dias para negociações sobre um acordo final, com grandes incentivos (talvez até US$ 300 bilhões em investimentos) se o Irã cooperar. Mas quanto o país receberá pode se tornar um ponto de discórdia.
Para muitos iranianos, o sofrimento têm sido severo. No mês passado, a inflação foi de 84% em relação ao ano anterior, mais que o dobro da taxa de janeiro. A inflação dos preços dos alimentos, de 131%, foi ainda maior. O bloqueio também afetou as importações.
Cerca de 3.000 contêineres destinados ao Irã se acumularam em portos paquistaneses desde meados de abril, e os embarques de grãos para Bandar Imam Khomeini, principal hub iraniano para produtos agrícolas, caíram 40%. Iranianos pobres estão pagando carne e pão em parcelas. Gholam-Hossein Mohammadi, vice-ministro do Trabalho, disse que até 2 milhões de pessoas perderam seus empregos —até 7% da força de trabalho.
Em 18 de maio, o Donya-e Eqtesad, um jornal iraniano, informou que o número de candidaturas para uma única vaga no JobVision, um site de empregos, dobrou para 360. No final de maio, Masoud Pezeshkian, o presidente, disse a empresários em Teerã que "o principal campo de confronto hoje é a economia e a subsistência das pessoas".











