Os chefes de Estado do Irão e dos Estados Unidos assinaram, nesta quarta-feira, o acordo preliminar para pôr fim à guerra desencadeada pelos ataques norte-americanos e israelitas ao país do Médio Oriente, no final de Fevereiro.Segundo confirmou Esmail Baghaei, porta-voz da diplomacia iraniana, a assinatura do documento inaugurou o período de 60 dias para ambas as partes negociarem questões mais complexas, como o futuro do programa nuclear do Irão."O texto do Memorando de Entendimento de Islamabad foi finalizado com as assinaturas dos presidentes. Agora é tempo de testar a implementação deste acordo", frisou Baghaei, acrescentando que a assinatura foi feita por via electrónica, uma vez que "não teria sido apropriado" realizar uma cerimónia.Fonte da Casa Branca também confirmou à agência France-Presse que Donald Trump assinou o memorando, após o site Axios ter avançado que o Presidente teria assinado uma cópia do documento durante o encontro com o homólogo francês, Emmanuel Macron, no Palácio de Versalhes, após a cimeira do G7.O memorando entra, assim, em vigor dois dias antes da data prevista, já que tinha sido anunciada uma cerimónia para a assinatura do acordo na próxima sexta-feira, nas margens do lago Lucerna, na Suíça, que agora fica em suspenso.Para já, não está confirmado para esta semana qualquer encontro entre representantes iranianos e norte-americanos, esclareceu Esmail Baghaei.O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão insistiu ainda nos alertas sobre a ocupação e os ataques israelitas em território libanês, que serão considerados, daqui em diante, violações do acordo. "Na nossa perspectiva, as duas partes deste memorando são os Estados Unidos e Israel, de um lado, e o Irão e o Hezbollah, do outro", defendeu o ministro iraniano Abbas Araghchi, na terça-feira.As negociações a decorrer nos próximos 60 dias deverão resultar num acordo final de paz entre Washington e Teerão, que será depois formalizado através de uma resolução vinculativa do Conselho de Segurança das Nações Unidas.Acordo reconhece "fracasso dos EUA"Nesta quarta-feira, mas antes do anúncio da assinatura do memorando por ambas as partes, o chefe da equipa de negociação do Irão, Mohammad Bagher Ghalibaf, considerou que o texto representa uma derrota para Washington."Este acordo reconhece o fracasso dos Estados Unidos. As pessoas vão tomar nota disso e tirar as suas próprias conclusões", frisou Ghalibaf, que é também presidente do Parlamento iraniano, em declarações à televisão estatal.Ao concordar com as condições do memorando, "a República Islâmica do Irão reitera que nunca produzirá armas nucleares". Em troca, os Estados Unidos comprometem-se a suspender "todos os tipos de sanções" actualmente impostas a Teerão, segundo um calendário a ser acordado como parte do acordo final.Ambos deverão levantar o bloqueio e contrabloqueio naval no estreito de Ormuz no prazo de 30 dias, contados a partir desta quarta-feira. Quanto ao estreito, Ghalibaf vincou, ainda que sem entrar em detalhes, que "o Irão tem um direito soberano sobre o Ormuz", pelo que "cobrará taxas" à navegação. Com Lusa