Em mais de três meses de guerra, nenhum dos lados pode declarar vitória, e o número de perdedores é maior do que os envolvidos no conflito 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca — Foto: Kent Nishimura/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 15/06/2026 - 19:33 Conflito EUA-Israel-Irã afeta economia global e prejudica Brasil Após mais de três meses de conflito entre EUA, Israel e Irã, nenhum lado pode declarar vitória, resultando em ampla perda global, inclusive para o Brasil, que enfrentou mudanças econômicas significativas. A guerra elevou os preços de combustíveis e pressionou a inflação, impactando a economia mundial. O custo reputacional dos EUA aumentou, enquanto o Irã ficou isolado e militarizado. Israel viu suas relações internacionais deteriorarem-se. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A guerra deflagrada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã talvez termine em breve na possibilidade que se abre com o memorando que será assinado na sexta-feira. Nenhum dos lados pode declarar vitória, e o universo dos perdedores é muito mais amplo do que apenas os que estão diretamente envolvidos no confronto. Até o Brasil perdeu. Nesses 107 dias de embate, o cenário econômico brasileiro mudou completamente. É por isso que os juros caíram tão pouco, nos dois primeiros cortes, e esta semana a redução deverá ser novamente tímida, de apenas 0,25 ponto percentual. Antes da crise internacional, a expectativa era de cortes de meio ponto ou até 0,75pp a cada reunião para uma Selic no fim do ano de 11% ou menos. A inflação estaria abaixo do teto da meta. Agora, por causa da crise geopolítica, os índices de preços estão pressionados, o acumulado em 12 meses já estourou o teto da meta e os juros só estão em queda porque estavam muito altos. O governo americano chega ao atual momento tendo muitas razões para se arrepender de ter iniciado a aventura militar. Por causa dela, o governo do Irã testou a sua arma mais poderosa, a ameaça de fechar o Estreito de Ormuz, e se viu que sim o país tem a possibilidade de bloquear o estratégico canal logístico. Os preços dos combustíveis internamente tiveram altas expressivas, corroendo a popularidade do presidente Donald Trump. A inflação americana em geral foi afetada pela nova conjuntura de instabilidade. A despesa militar declarada oficialmente pelo Pentágono foi de US$ 29 bilhões. Mas pode ter sido mais, já que não há transparência sobre os cálculos. O pior custo dos Estados Unidos foi reputacional. O presidente Trump deu durante os mais de três meses do conflito sinais seguidos de debilidade. Anunciou várias vezes o fim dos combates, que não haviam terminado e ameaçou o Irã sem conseguir dobrar o país dos aiatolás. Convocou a população civil do Irã a se rebelar e não obteve resposta. Ao longo do tempo ficou claro que os Estados Unidos entraram na ofensiva de forma intempestiva e sem qualquer planejamento estratégico. As evidências é que Trump subestimou os adversários e as dificuldades da operação militar. O Irã pagou o preço mais alto. Perdeu alguns dos seus principais líderes. Os que sobreviveram vivem acuados. Por outro lado, o regime tirânico dos aiatolás enfrentava movimentos de protestos que com a guerra foram suspensos. Os iranianos têm agora um governo muito mais militarizado e igualmente repressivo e totalitário. O Irã bombardeou os vizinhos e entrou em embate direto na região. É um país isolado. Israel tinha agenda própria em todo o conflito. Alegava estar dando resposta ao Hezbollah mas parecia estar numa campanha de ocupação territorial no Líbano. Hoje tem tropas no Sul do Líbano e viu o Hezbollah se enfraquecer. Porém está com relação tensa com o seu maior aliado, os Estados Unidos. A sua imagem junto a outros países do Ocidente piorou ainda mais, após ter sofrido uma violenta deterioração com os massacres na Faixa de Gaza. A economia mundial enfrentou problemas sucessivos com o caos. A alta do petróleo, o encarecimento do frete, as dificuldades de suprimentos de insumos importantes da cadeia produtiva, o aumento dos preços de fertilizantes e inúmeros outros desequilíbrios tornaram a economia mundial mais incerta neste ano de 2026. Todos esses foram efeitos da guerra. As negociações com o Irã para tentar ter algum controle internacional sobre o seu programa nuclear tinham mais chances de sucesso do que o que começa a ser desenhado agora no novo acordo negociado pelo Paquistão. O FMI afirma que o PIB mundial vem resistindo ao choque, mas que uma intensificação das hostilidades e das interrupções no abastecimento representam um “risco claro para o crescimento global”, por causa do aumento nos preços das commodities, da inflação mais elevada e das tensões nas condições financeiras. O Brasil é um dos atingidos por estes efeitos. O governo gastou até agora R$ 30 bilhões subsidiando combustíveis, mas tudo o que conseguiu foi evitar uma parte da alta dos preços dos derivados de petróleo. Houve aumento de preços, mas seria muito maior se não fosse o discutível programa de subvenção a combustíveis fósseis. O custo da guerra para o Brasil tem que incluir também a despesa com os juros que caíram menos do que se não houvesse confronto. Ainda não se sabe se a guerra terminará mesmo com este acordo, o que já se pode dizer é que nela todos perderam.
A guerra que todos perderam
Em mais de três meses de guerra, nenhum dos lados pode declarar vitória, e o número de perdedores é maior do que os envolvidos no conflito











