No primeiro dia do festival Cinema Ritrovato, neste sábado (20), o essencial não eram os filmes, mas esgueirar-se habilmente sob as arcadas, que por sorte existem aos montes em Bolonha, encher as garrafas com água generosamente colocada à disposição dos cinéfilos, estudiosos e críticos na praça dentro da Cineteca, e só então ir à luta, isto é, buscar a sua sala favorita e se refugiar no ar condicionado. Sem isso é difícil viver sob os 38ºC à sombra que fez por aqui.
A recompensa pelo esforço vem com um programa que deixa difícil escolher, porque significa de imediato deixar de lado outro filme importante. A programação inclui a mostra do célebre diretor japonês Daisuke Ito, títulos pouco conhecidos de Roger Corman e filmes restaurados como "A Dez Segundos do Inferno", do americano Robert Aldrich, e "Somente as Horas", do carioca Alberto Cavalcanti.
Todos esses foram deixados em segundo plano, no entanto, pela exibição na Piazza Maggiore de "Aurora", o clássico do alemão F.W. Murnau, diretor de "Nosferatu", que fez o cinema de Hollywood tornar-se o que se tornou, tal a quantidade de ensinamentos que trouxe para seus diretores e técnicos.
O restauro do longa foi feito nos Estados Unidos a partir de cópias e negativos encontrados em várias partes do mundo. Pessoas que trabalharam no processo disseram, antes da exibição do filme, o quão valoroso foi Murnau, homem gay e imigrante.













