O Cinema Ritrovato chega aos 40 anos a partir do dia 20 de junho, mostrando que não veio para brincar. O festival bolonhês, que começou com um encontro de especialistas em restauro —a Cinemateca local é famosa como centro de recuperação de filmes—, vai exibir mais de 500 filmes em oito salas, durante uma semana, com sessões quase sempre lotadas.

Quem ficar do começo ao fim da mostra e assistir a, digamos, seis filmes por dia, o que está longe de ser uma média ruim, terá visto 48 filmes, ou seja, nem 10% do total de filmes exibidos.

De todos eles, o que mais chama a atenção é "Aurora", o filme de F.W. Murnau, que em 1927 deu forma ao cinema dos Estados Unidos. Murnau —"meu gênio alemão", como o chamava William Fox— trouxe da Europa sua arte dos movimentos de câmera, a cenografia em perspectiva, a fotografia sutil. Murnau montou uma cidade nos estúdios da Fox e marcou praticamente todos os diretores de seu tempo, de John Ford a King Vidor —sem contar, claro, Hitchcock, que já havia visto Murnau filmar na Alemanha.

O novo restauro de "Aurora" será exibido na Piazza Maggiore, a céu aberto, com a música original executada pela Orquestra Comunale de Bolonha. Também na praça começará a revisão de "New York, New York", de 1977, o musical de Martin Scorsese com Liza Minnelli e Robert De Niro.