Rendimento dos Títulos do Tesouro disparou. Com feriado nos Estados Unidos, liquidez global foi reduzida e Bolsa beirou a estabilidade 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Painel da B3, a Bolsa de São Paulo — Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 19/06/2026 - 17:03 Juros Futuros Sobem e Dólar Cai com Expectativas de Alta da Selic no Brasil Os juros futuros no Brasil subiram, refletindo expectativas de alta da Selic diante de previsões inflacionárias crescentes. O dólar caiu 0,17%, fechando a R$ 5,16. A Bolsa manteve estabilidade, impactada por feriado nos EUA. Investidores aguardam clareza sobre a política monetária do Banco Central, especialmente sobre cortes futuros na Selic e a influência da política de juros americana nas economias globais. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Os juros futuros, que estimam onde estará a Taxa Selic no futuro e embutem as previsões para a inflação futura, registraram alta ao longo de todos os prazos nesta sexta-feira. O ajuste, segundo analistas, é reflexo das estimativas de que a taxa básica tenha que passar por um novo ciclo de alta diante de seguidas revisões para cima das expectativas de inflação. Ainda que o preço do petróleo tenha caminhado para um novo patamar, por volta dos US$ 80, após o acordo entre os Estados Unidos e o Irã para pôr fim ao conflito, contribuiu para a pressão a previsão de que os investidores enxergam, nos Estados Unidos, uma alta dos juros por lá até o fim do ano, pressionando a condução das taxas em outras economias, como o Brasil. Mesmo sinalizando que o cenário permanece incerto e que o foco do BC passa a ser um cenário mais alongado, com foco no primeiro semestre de 2028, a leitura de que o BC esteja sendo um pouco leniente e esperando um aumento de preços na economia maior do que o esperado pelos economistas faz o mercado estimar que, para frear o aumento de preços, seja necessário até mesmo uma nova alta de juros no curto prazo: — O movimento de abertura da curva de juros nominais é potencializado pela visão de um Copom mais dovish (brando), e menos comprometido com o controle inflacionário. Os investidores, que já tinham como obstáculo forte volatilidade geopolítica, agora enfrentam também a dúvida sobre a seriedade do BC no combate à inflação — diz José Alfaix, economista da Rio Bravo Investimentos. Na curva de juros, que reflete o contrato de investidores e estima a inflação e a Taxa Selic no futuro, o mercado enxerga a redução da taxa básica na próxima reunião, em agosto, mas vê a necessidade de alta até 15% da Selic no início do ano que vem. A explicação para os modelos estimados pelo Banco Central será essencial para entender a leitura da última decisão, afirma Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset. Ela diz que tanto a Ata quanto o Relatório de Política Monetária, a serem divulgados na semana que vem, devem dar mais detalhes sobre a decisão: — Falta clareza do que os modelos do Banco Central estão dizendo, mas qual é a conclusão vamos saber na ata (do Copom). O BC vai conseguir falar um pouco mais sobre o que é essa dinâmica que ele enxerga, e, no RPM, ele vai ter oportunidade de “mergulhar” em determinados pontos que acha importante — diz ela, que também vê forte impacto das estimativas futuras do juro americano no movimento. Após a decisão, o ex-diretor do BC e atual economista-chefe do Itaú, Mário Mesquita, vê espaço para mais um corte na Selic, a 14% em agosto. Alexandre de Azara, do UBS BB, vê dois cortes seguidos, a 13,75% em setembro. O movimento catapultou os rendimentos dos títulos do Tesouro Nacional, que chegaram a ter suas negociações interrompidas durante diversas vezes ao longo da semana. Nesta sexta-feira, o Tesouro Prefixado com vencimento para 2029 subiu a 14,89%, e o título IPCA+ com vencimento em 2032, que remunera a inflação anual mais taxas reais, era negociado a 8,47%. Marília Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, afirma que a taxa para os títulos de cinco anos não era vista desde 2016, no auge da crise econômica do segundo governo Dilma Rousseff: — O mercado está precificando que o juro pode até cair no curto prazo, mas que o Banco Central não vai conseguir controlar a inflação, e vai ter que subir mais o juro no futuro — afirma ela. 'Dia morno' em câmbio e Bolsa O dia foi de certa estabilidade nos indicadores locais, diante da menor liquidez global imposta pelo feriado abolicionista de Juneteenth nos Estados Unidos, onde Bolsas e o mercado de títulos não foram abertos. Por aqui, o dólar caiu 0,17%, aos R$ 5,16, enquanto O barril do petróleo fechou em leve alta de 0,9%, aos US$ 80,57. A Bolsa beirou a estabilidade, aos 168 mil pontos, menor nível desde janeiro. — É um dia morno. A notícia do dia que mais mexeu com os preços foi o acordo entre Israel e Hezbollah, que era necessário para o Irã aceitar o acordo com os EUA — disse Marianna, da Mirae, sobre a leve queda do dólar. A pressão inflacionária futura, afirma Gustavo Harada, da Blackbird, traz sentimento de cautela aos investidores da Bolsa. —Há um sentimento de cautela por conta da pressão inflacionária. Ainda não há certeza sobre o real impacto na economia diante da reabertura do Estreito de Ormuz, logo, é fator a ser levado em conta, para vermos se inflação continuará persistente para termos perspectiva quanto a juros — avalia ele, que vê o atual patamar como reflexo da saída firme do investidor estrangeiro desde meados de abril. O Ibovespa, que já registrou 23% de valorização no ano, agora registra alta de 4,5% no ano. Em junho, o índice já perdeu 3,11% e, na semana, 1,6%.