Indicadores de atividade mais fracos e dados de inflação mais benignos divulgados na semana passada, no Brasil e nos EUA, ajudam a aliviar a curva, mesmo em dia de alta dos rendimentos dos Treasuries Juros futuros recuam com ajuste após disparada de sexta-feira — Foto: RDNE/Pexels Os juros futuros recuam nesta segunda-feira (20), após iniciarem o pregão em leve alta, em um movimento de ajuste depois da forte abertura das taxas na sexta-feira, em meio às incertezas geopolíticas. Participantes do mercado avaliam que indicadores de atividade mais fracos e dados de inflação mais benignos divulgados na semana passada, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, ajudam a aliviar a curva, mesmo em um dia de alta dos rendimentos dos Treasuries. Por volta de 13h a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 passava de 13,96%, no ajuste anterior, para 13,950%; a do DI de janeiro de 2028 caía de 14,050% para 14,045%; a do DI de janeiro de 2029 recuava de 14,34% para 14,285%; e a do DI de janeiro de 2031 cedia de 14,525% para 14,475%. Já o rendimento da T-note de dez anos, referência da renda fixa americana, subia de 4,550% para 4,583%. Os dados divulgados na semana passada, com o IPCA e o índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos (CPI) abaixo do esperado, sustentam a perspectiva de cortes de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom) para além de agosto, diz o Itaú BBA, em relatório. Os analistas ponderam, porém, que a retomada das tensões entre Estados Unidos e Irã levou o petróleo novamente para acima de US$ 80 por barril. Nesse ambiente, os dados mais fracos de serviços e varejo no Brasil não foram suficientes para conter a piora dos mercados, e as taxas dispararam na sexta-feira. Nesta segunda, os investidores também acompanham as movimentações no Oriente Médio. Segundo uma autoridade iraniana ouvida pela Reuters, mediadores apresentaram ao Irã uma proposta para reduzir a escalada da guerra com os Estados Unidos, que prevê um cessar-fogo de dez dias para retomar o acordo provisório firmado no mês passado. A notícia provocou forte volatilidade nos contratos de petróleo. O WTI, referência americana, opera em queda, enquanto o Brent ronda a estabilidade, na faixa de US$ 88 por barril. “Embora o petróleo tenha voltado a subir em meio às tensões geopolíticas, a commodity segue em patamar bem inferior ao observado no auge do conflito. No Brasil, esse cenário é potencializado pela combinação de atividade mais fraca, inflação mais benigna e pela sinalização do BC de que não fechou a porta para a continuidade do ciclo de cortes de juros”, avalia um operador, sob anonimato. Apesar do alívio de curto prazo, o operador afirma que a evolução das expectativas de inflação para os próximos anos é mais importante do que os indicadores recentes. Essas projeções continuam fortemente condicionadas à trajetória fiscal após as eleições e à forma como o problema será enfrentado. Assim, a fonte defende que o BC mantenha uma postura cautelosa antes de avançar no ciclo de flexibilização monetária.