Dia de maior apetite ao risco no mundo também contribuiu com queda firme nos juros futuros; petróleo fecha em leve recuo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Sede da B3 em São Paulo — Foto: Paulo Renato Nepomuceno / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 10/07/2026 - 18:04 Ibovespa sobe 2,97% com IPCA abaixo do esperado e expectativa de corte na Selic O Ibovespa registrou a maior alta em três meses, subindo 2,97%, após o IPCA de junho apresentar aumento de apenas 0,16%, abaixo das expectativas. Essa surpresa positiva impulsionou o apetite ao risco, com juros futuros caindo. O dólar teve leve baixa, enquanto o petróleo recuou ligeiramente. Analistas veem espaço para o BC cortar a Selic. A valorização do índice reflete a expectativa de redução de juros, beneficiando ativos de risco. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Os juros futuros, que estimam a Taxa Selic e a inflação nos próximos anos, desabaram na sessão desta sexta-feira. A queda, afirmam analistas, foi uma reação ao IPCA de junho, que subiu 0,16%, uma alta menor do que esperada pelo mercado financeiro. O movimento contribuiu com uma alta firme do principal índice da Bolsa, o Ibovespa, que fechou em avanço de 2,97%, aos 177.866 pontos. É o maior ganho diário desde 23 de março. O dólar teve leve baixa de 0,28%, a R$ 5,10. — É um dado mais benigno, uma surpresa positiva que já não tínhamos há alguns meses. E deixa em aberto a possibilidade do Banco Central continuar o ciclo de afrouxamento monetário — avalia Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset, que viu o desempenho da curva dos juros futuros como reflexo do dado. No encerramento da sessão, a taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu a 13,90%, ante fechamento a 14,02% na quinta-feira. Para janeiro de 2030, o DI cedeu a 14,115%, ante 14,31% na véspera. O Bank Of America disse em relatório, após a divulgação do IPCA de hoje, ver espaço para o BC cortar a Selic a 14% na próxima reunião, em agosto. A leitura do chefe de economia para o Brasil do banco, David Beker, é somada a um cenário externo mais favorável, como o petróleo beirando os US$ 80. Para setembro, uma nova redução da Taxa Selic a 13,75% não é descartada pelo banco americano, que vê a dinâmica do preço do petróleo como fator fundamental para o possível movimento. Menos juros, mais apetite ao risco Apenas um dos 78 papéis participantes do Ibovespa encerrou em baixa nesta sexta-feira. A alta diária firme do índice, a maior em pouco mais de três meses, foi reflexo do IPCA mais baixo: — Com inflação mais baixa, o mercado acredita que o Banco Central tem mais espaço para cortar juros. E juros é um fator primordial. Podendo cair, os ativos de risco acabam se beneficiando — diz João Matos, gestor de ações da Bradesco Asset Management. Ele afirma que os juros são os principais balizadores dos investimentos nas companhias listadas. Isso porque, com a redução da taxa básica, títulos atrelados à ela tendem a reduzir a atratividade na comparação com a renda variável: — Se o juro cai, o custo de oportunidade cai. Para ter uma rentabilidade melhor, o investidor precisa colocar dinheiro em ativos de mais risco — compara. A redução dos juros também diminui o endividamento das empresas, sobrando mais espaço para a distribuição de dividendos, e tende a aumentar o apetite às compras da população por conta da diminuição do custo de crédito, o que se converte em resultados mais positivos das companhias. Ainda que singela, a redução de 0,38% do barril do petróleo tipo Brent (referência internacional) nesta sexta-feira, aos US$ 76,01, também contribuiu com o aumento do apetite ao risco em todo o mundo. Estados Unidos e Irã afirmaram nesta sexta-feira que mantém as discussões técnicas após ataques entre os dois lados, movimentos que impuseram dúvidas sobre a continuidade de um acordo que mantém livre o fluxo no Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial, além de gás natural e fertilizantes. As Bolsas de Nova York encerraram em leve alta. O Dow Jones subiu 0,29%, aos 52.637 pontos. O S&P 500 avançou 0,42%, aos 7.575 pontos, e o Nasdaq teve alta de 0,29%, aos 26.281 pontos. — É um cenário propício à tomada de risco. Olhando para a Bolsa, veja o desempenho do setor financeiro, que puxa o índice por conta da expectativa de queda de juros — diz Marianna, da Mirae. Próximo ao encerramento, os papéis do Itaú subiram 4,02%, o BTG Pactual avançou 5,48% e o Bradesco valorizou 4,78%. Com a alta de hoje, o Ibovespa acumula valorização de 10,4% em 2026 e 3,4% em julho.
Bolsa tem maior alta em três meses após IPCA menor do que o previsto
Dia de maior apetite ao risco no mundo também contribuiu com queda firme nos juros futuros; petróleo fecha em leve recuo











