Entrevista | Ariel Frankel, CEO da Vitacon Ariel Frankel, CEO da Vitacon — Foto: VITACON/DIVULGAÇÃO Na capital paulista, os imóveis compactos seguem na liderança do mercado. A plataforma Housi aponta que 40% dos lançamentos previstos são de unidades de até 40 metros quadrados — e 70% das incorporadoras já atuam no segmento. Pioneira no modelo, a Vitacon prevê dez projetos neste ano (quatro já lançados), com cerca de R$ 2 bilhões em VGV. Segundo o CEO, Ariel Frankel, a empresa manterá o foco no estilo de vida minimalista, mas também pretende investir em bem-estar, sênior living e apartamentos maiores. Como tem sido o ano de 2026 para a Vitacon? Ariel Frankel — Temos dez lançamentos previstos e cerca de R$ 2 bilhões de resultado, 30% acima de 2025. Entramos no ano bem planejados, com pipeline estruturado e projetos em aprovação, o que preservou o “guidance” do ano. Os compactos continuam no foco da empresa? Sim, essa é uma demanda de quem vive na cidade e que se tornou um padrão, porque o perfil de consumo foi nessa direção. O estúdio é algo que veio para ficar, não um modismo. O mercado paulistano ainda comporta mais estúdios? Sim. O público “single” vem aumentando na cidade: as residências com apenas um morador chegam a 30% e seguem crescendo. É um perfil de consumo com muita margem. No nicho em que estamos, que não é o econômico, o público é enorme. Mas, mesmo neste segmento, estamos mais seletivos na hora de decidir pelos projetos. A variação de preços e demandas pode oscilar muito, mesmo no mesmo bairro. Também gostamos de misturar propostas, colocando estúdios, lofts e unidades de um ou dois dormitórios no mesmo prédio. A ideia é oferecer mais flexibilidade para o morador em relação a seu momento de vida: se ele cresce financeiramente e quer um apartamento maior ou se está em fase de transição profissional/pessoal e prefere algo mais enxuto. Quais bairros estão na mira da companhia? Temos apostado muito nos Jardins e em Perdizes, na Zona Oeste. Seja por crença, dados ou entendimento da transformação positiva dos bairros, estas áreas representam cerca de 75% da produção do ano. O Vitacon Perdizes tem plantas maiores. É uma mudança na estratégia? De fato, nosso próximo lançamento em Perdizes terá duas e três suítes. É uma proposta para atender ao cliente dos compactos em outra etapa da vida. São plantas com mais espaço, mas que mantêm a essência de uma vida minimalista da marca. O público “single” se resolve em 30 metros quadrados, mas, no momento família, é preciso mais espaço. Vitacon Jardins: projeto do escritório Konigsberger Vanucchi, com unidades de 20 a 50 metros quadrados — Foto: VITACON/DIVULGAÇÃO O que mais foi repensado neste produto? Nos serviços, adaptamos algumas soluções e eliminamos outras, já que o perfil de público é outro. Estúdio de podcast, espaços de socialização, geladeiras para congelados, delivery, ambientes mais participativos e colaborativos, por exemplo, cedem lugar para áreas mais harmônicas com o propósito familiar. Mais áreas externas, pet place, brinquedoteca, jardins, academia inspirada no conceito de longevidade, oferecendo mais conveniência e exclusividade para essa turma. É um projeto superinteressante e com uma pegada mais “wellness” também. Em Perdizes, a companhia aposta em um empreendimento assinado pelo arquiteto Jonas Birger, com plantas maiores do que a média histórica — Foto: Vitacon/Divulgação O bem-estar entrou no radar da companhia? Sempre esteve, na verdade. Tem muita empresa que faz esforço para levantar uma “bandeira” desejada pelo mercado. No caso da Vitacon, isso faz parte da cultura e do propósito da empresa: oferecer cuidados de bem-estar aos clientes. No projeto do Jardins, desde a materialidade, paisagismo, cores, as áreas comuns, “rooftop”, tudo tem essa vocação. Colocamos ducha de ozônio no banheiro, sauna com infravermelho, banheira de gelo academia com equipamentos da Technogym, piscina com raia, enfim, para atender a essa geração mais saudável, que busca o equilíbrio físico e mental. O “wellness” virou critério na decisão de compra do investidor? Sim. Essa galera está pagando cerca de 10 a 20% mais para ter isso no prédio. É um comportamento novo e o momento é de educação do investidor. Até bem pouco tempo, ele não dava muita atenção para o assunto – era mais sobre localização e rentabilidade. Hoje, o processo está mais seletivo para quem busca diversificação de portfólio, e o bem-estar torna-se um diferencial relevante, diante da superoferta de produtos que existe no mercado. No projeto dos Jardins, por exemplo, as pessoas compraram muito observando uma visão mais 360 graus do investimento, com “wellness” como opção mais atrativa. Acesso do Vitacon Venâncio Aires 38: projeto da MCAA Arquitetura fica ao lado da arena que mais recebe shows musicais e eventos na capital paulista — Foto: VITACON/DIVULGAÇÃO Há outros projetos em Perdizes? Lançamos um empreendimento vizinho ao estádio do Palmeiras, o Nubank Parque. A tese é baseada no público flutuante que vem para a São Paulo frequentar os eventos na arena, o hospital e a faculdade que existem ali perto. É uma região com gastronomia de qualidade, tem shopping center, estação de metrô chegando e a Avenida Sumaré se transformando em um parque linear, cheia de gente aos finais de semana. É um pedaço de Perdizes que está em reconstrução e vem ganhando preço em um ritmo saudável. Que outro endereço na cidade interessa à Vitacon? Estamos acompanhando de perto o fenômeno no entorno da Avenida Rebouças, que se tornou um importante eixo econômico da cidade. Aliada à volta ao trabalho presencial, os prédios corporativos estão com alta ocupação de empresas, o que tem gerado uma pressão de demanda por moradia. E uma via tem atraído mais a atenção das incorporadoras: a Rua Augusta, que está sendo redescoberta pelo mercado. É um momento oportuno, e temos cinco empreendimentos já pensados para os arredores. Academia do “sênior living” da companhia em Higienópolis, com projeto da MCAA Arquitetura: bem-estar e economia prateada no radar — Foto: VITACON/DIVULGAÇÃO A Vitacon tem apostado no sênior living. Qual a tese? Há um interesse crescente das pessoas em discutir a longevidade, e isso vem impactando diretamente o segmento de “sênior living”. Uma tendência muito forte, inclusive com empreendedores de saúde vendo como se inserir neste contexto de mercado. No nosso caso, no Vitacon Sênior Living powered by Housi, em Higienópolis, em fase final de aprovação, preferimos não restringir o produto e ficar dentro de uma faixa mais acessível, tanto de aquisição, quanto de custos do dia a dia. Um terreno de 2,5 mil metros quadrados, com cerca de 300 unidades modulares de 27 a 80 metros, com ambulância 24 horas, enfermagem, elevadores para maca, espaços de integração, academia Tehcnogym, spa com hidromassagem, restaurante e muita tecnologia embarcada para o monitoramento dos moradores. Tudo com consultoria do Hospital Israelita Albert Einstein.