Navios ancorados no Estreito de Ormuz — Foto: Reuters O tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz começou a ser retomado um dia após os Estados Unidos e o Irã assinarem um memorando de entendimento que suspendeu a guerra, com a confirmação da passagem de pelo menos seis petroleiros pela via navegável. "Hoje, as forças americanas suspenderam o bloqueio a todo o tráfego marítimo que entra e sai dos portos e áreas costeiras iranianas, de acordo com a diretriz do presidente", disse o Comando Central dos Estados Unidos na quinta-feira. O memorando, assinado na quarta-feira, estipula que o bloqueio de Ormuz deve ser totalmente suspenso em 30 dias e que a navegação pela hidrovia será permitida por 60 dias sem cobrança de pedágio. De acordo com o site de informações marítimas MarineTraffic, os petroleiros que estavam posicionados na costa norte dos Emirados Árabes Unidos começaram a se movimentar por volta das 19h (horário de Brasília) de quarta-feira. Isso ocorreu pouco depois da notícia da assinatura. Após as 2h da manhã de quinta-feira, dois petroleiros e um navio transportador de gás natural liquefeito (GNL) saíram do Golfo Pérsico e entraram no Golfo de Omã. Eles contornaram a Ilha de Larak, conforme designado pelo Irã. Mais tarde, por volta das 11h, o Tenzan, um navio petroleiro de grande porte pertencente à empresa japonesa Kyoei Tanker, também passou pela mesma rota marítima. Os dados de navegação indicaram que ele viajava quase totalmente carregado, sem exibir seu destino. Por razões de segurança, muitos navios têm seus sistemas de identificação automática (AIS) desligados, o que significa que outros navios provavelmente passaram pelo estreito sem serem detectados. O petroleiro Shaden, operado pela empresa de navegação saudita Bahri, transmitiu sua localização no Golfo de Omã por volta de 0h de quinta-feira. A embarcação foi vista pela última vez no Golfo Pérsico e acredita-se que tenha passado recentemente por Ormuz. Atualmente, está se dirigindo para o porto de Kiire, no Japão. Outros dois petroleiros operados pela Bahri também estavam transmitindo suas localizações fora do Golfo Pérsico, elevando o número total de grandes petroleiros que passaram pelo estreito para pelo menos seis. No Golfo Pérsico, outros petroleiros e navios de carga começaram a navegar em direção ao estreito. Na quarta-feira, 871 embarcações estavam retidas no Golfo Pérsico, segundo a empresa de inteligência marítima Windward. Isso inclui 67 petroleiros. Os preços do petróleo bruto caíram significativamente. Os contratos futuros do West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, chegaram a atingir US$ 73,58 o barril na quinta-feira, uma queda de 4% em relação ao fechamento de quarta-feira — a primeira vez desde o início de março que caíram abaixo de US$ 74. Nos Estados Unidos, o preço médio do galão de gasolina comum foi de US$ 3,99 na quinta-feira, caindo abaixo de US$ 4 pela primeira vez desde 30 de março. Daan Struyven, chefe de pesquisa de petróleo do Goldman Sachs, prevê que o tráfego no Estreito de Ormuz se normalize em julho e que os contratos futuros de petróleo bruto WTI atinjam uma média de US$ 75 no último trimestre do ano. Um navio leva cerca de três semanas para chegar ao Japão partindo do Golfo Pérsico, o que daria algo como meados de julho para a chegada do combustível.
Pelo menos seis petroleiros atravessam Estreito de Ormuz após acordo EUA-Irã
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