A Fictor notificou extrajudicialmente um advogado que representa um grupo de credores pedindo que ele evite manifestações públicas sobre o processo de recuperação judicial da companhia. A notificação da empresa foi recebida pelo advogado Vitor Gomes Rodrigues de Mello como uma tentativa de intimidação.

Famosa por tentar comprar o Banco Master em novembro do ano passado, a companhia pediu recuperação judicial em fevereiro, após a liquidação do banco de Daniel Vorcaro, alegando dano reputacional.

Assinada por Rafael de Gois, CEO da Fictor, a notificação aponta que em processos de reestruturação empresarial de "elevada complexidade", principalmente os que envolvem grupos econômicos com múltiplas operações, é legítima e necessária a adoção de medidas que visem a reorganização societária, adequação de custos e redefinição de ativos e operações.

Segundo a companhia, em cenários de reestruturação, nem toda decisão administrativa pode ser interpretada como "suposto esvaziamento patrimonial" sem que antes sejam apontadas demonstrações técnicas, contábeis e jurídicas.

"Interpretações parciais, afirmações genéricas ou manifestações públicas desprovidas de adequada contextualização técnica possuem elevado potencial de gerar efeitos adversos à própria recuperação judicial e à preservação da atividade empresarial", afirma o CEO da Fictor em carta assinada no dia 22 de maio.