A justificativa do Copom (Comitê de Política Monetária) para cortar a taxa Selic na quarta-feira (17) não caiu bem entre agentes do mercado.

O dólar disparou 1,26% nesta quinta-feira (18) e fechou cotado a R$ 5,174 um dia após as decisões do Banco Central e do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA). Os juros futuros também dispararam, com os vencimentos de médio e longo prazo subindo mais de 0,2 ponto em alguns pontos da curva.

Para especialistas ouvidos pela Folha, a comunicação foi confusa e não esclareceu satisfatoriamente a decisão de continuar afrouxando a taxa básica de juros do país em um momento em que os índices inflacionários seguem subindo para além do teto da meta estabelecida pelo BC.

Isso, segundo eles, afeta a percepção do mercado sobre a chamada "função de reação" da autoridade monetária, isto é, a capacidade de um banco central de ajustar a política monetária aos indicadores econômicos.

"Há uma dissonância forte entre o diagnóstico do Copom e o remédio aplicado", diz Alexandre Schwartsman, economista e ex-diretor do BC.