A inflação acima da meta perseguida pelo Banco Central é fato consumado. As expectativas para o futuro também pioraram, e o balanço de riscos agora embute maior chance de alta de preços acima do esperado. Todos esses elementos foram corretamente diagnosticados pelo Copom (Comitê de Política Monetária), que, ainda assim, cortou a taxa básica de juros, a Selic.
A decisão era amplamente esperada pelo mercado, mas a justificativa apresentada gerou e continua gerando confusão.
Dada a defasagem típica da política de juros, o BC deveria olhar a inflação esperada no fim de 2027, mas optou por mirar o primeiro trimestre de 2028 e se amparou nessas projeções para dar o seu veredito. Se não fizesse isso, disse haver risco de precisar promover um choque nos juros —uma inversão de direção fora do radar de todos e que certamente seria um incômodo não só econômico, mas também político.
É positivo que o comitê queira suavizar os efeitos da condução dos juros sobre a economia, e suas decisões anteriores já eram compatíveis com a busca gradual da meta de inflação. No entanto, fez falta contar quais foram as estimativas que deram ao BC tranquilidade e segurança para bancar o corte agora e levar a inflação à meta mais à frente, mesmo diante da piora de cenário narrada pelo próprio comitê.













