Segundo o Copom, a magnitude do ciclo de calibração dos juros será ajustada de acordo com evolução do cenário econômico para assegurar a convergência da inflação à meta O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) informou, em ata divulgada nesta terça-feira, que seu balanço de riscos para a inflação está assimétrico para o lado altista. “Com relação ao balanço de riscos, o Comitê avaliou que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual, com assimetria altista”, diz o documento, que explica a decisão de baixar os juros e 14,5% para 14,25% ao ano. Conforme havia feito na semana passada, o Copom lista quatro riscos de alta para a inflação e três de baixa. A novidade em relação ao documento anterior, de abril, é citar estímulos à demanda. Do lado altista, o BC mencionou uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, com horizontes mais longos incorporando impactos potenciais de segunda ordem de choques de oferta, relacionados ao petróleo e seus derivados, e a efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e custos de energia. A menção aos eventos climáticos é uma novidade. Disse ainda “uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo” e “uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada”. Já nos riscos de baixa voltou a apontar uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; uma desaceleração global mais pronunciada decorrente dos choques de comércio e do petróleo, e de um cenário de maior incerteza; e uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários. Segundo o Copom, a magnitude do ciclo de calibração dos juros será ajustada de acordo com evolução do cenário econômico para assegurar a convergência da inflação à meta. “No contexto atual de incerteza em níveis historicamente elevados, com riscos assimétricos na direção altista para os preços, o Comitê reitera que a magnitude do ciclo de calibração será ajustada à luz da evolução do cenário, de forma a assegurar a convergência da inflação à meta”, diz a ata, que explica a decisão de baixar os juros básicos na semana passada de 14,5% ao ano para 14,25% ao ano. O colegiado voltou a dizer que o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista “propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica”. Disse ainda que, reafirmando seu compromisso de convergência da inflação à meta no horizonte relevante, o Copom passou então a considerar diferentes trajetórias para a taxa básica de juros. “Em um primeiro momento, foi ressaltado que o cenário havia se deteriorado desde a última decisão, tanto em termos das leituras mais recentes da inflação cheia e suas medidas subjacentes, quanto das expectativas para os anos de 2026, 2027 e 2028”, afirma. “Destacou-se que a última leitura do IPCA já situa o índice acima do limite superior estabelecido para a meta.” Segundo a autoridade monetária, no cenário de referência, “partindo da governança usual de incorporação da trajetória da Selic representada pela mediana das expectativas da Focus, a projeção do Copom para o quarto trimestre de 2027, atual horizonte relevante, foi de 3,7%, evidenciando um distanciamento maior da meta relativamente à projeção da reunião anterior (3,5%)”. Consta da ata ainda que as últimas divulgações de inflação, tanto ao consumidor, quanto ao produtor, mostraram sinais claros de efeitos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, “situando-se em valores significativamente acima dos inicialmente esperados”. “Para além dos efeitos dos conflitos, mantém-se, de um lado, a interpretação de uma inflação pressionada pela demanda e que requer uma política monetária contracionista e, de outro, a interpretação de que a política monetária tem contribuído de forma determinante para a desinflação observada”, diz a ata, que detalha a decisão da semana passada de baixar os juros básicos de 14,5% ao ano para 14,25% ao ano. O comitê faz um histórico, afirmando que as leituras recentes até o início dos conflitos indicavam algum arrefecimento da inflação que abrangia tanto o índice cheio quanto em aberturas e medidas subjacentes. “A combinação de um câmbio mais apreciado e um comportamento mais benigno das commodities nos períodos recentes contribuía para redução nas inflações de bens industrializados e alimentos”, afirma. “A inflação de serviços também apresentava algum arrefecimento, ainda que mais resiliente, respondendo a um mercado de trabalho que segue dinâmico e a uma atividade que tem apresentado moderação gradual.” Quanto às expectativas de inflação, disse que “desde a reunião anterior ficou evidente uma desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para o ano de 2028”. O colegiado nota que as expectativas de inflação, medidas por diferentes instrumentos e obtidas de diferentes grupos de agentes permanecem acima da meta de inflação em todos os horizontes. “Foi ressaltado que o custo de desinflação sobre o nível de atividade ao longo do tempo é maior em ambientes com expectativas desancoradas”, diz. “A principal conclusão obtida, e compartilhada por todos os membros do Comitê, foi a de que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado.” — Foto: USP Imagens
Balanço de riscos para a inflação está assimétrico para o lado altista, nota BC em ata
Segundo o Copom, a magnitude do ciclo de calibração dos juros será ajustada de acordo com evolução do cenário econômico para assegurar a convergência da inflação à meta













