Percepção veio após postura mais conservadora do BC americano na comunicação da decisão de política monetária feita nesta quarta-feira (17) Os juros futuros saltaram no pregão desta quarta-feira (17), pressionados pela percepção do mercado de que o Federal Reserve (Fed) tomou uma postura mais conservadora na comunicação da decisão de política monetária, hoje, e, com isso, abriu caminho para aumentar a taxa dos Fed Funds ainda este ano. Desta forma, os investidores passaram a precificar também uma política monetária mais apertada no Brasil, enquanto esperam a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil, que sai por volta de 18h30. Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2027 subiu de 14,255%, do ajuste da véspera, para 14,32%; a do DI de janeiro de 2028 anotou forte alta de 14,43% a 14,64%; a do DI de janeiro de 2029 saltou de 14,405% para 14,685% e a do DI de janeiro de 2031 disparou de 14,295% a 14,57%. Os juros futuros subiram até 35 pontos-base (ou 0,35 ponto percentual) no momento de maior estresse da sessão, em um movimento coordenado com o mercado de Treasuries dos Estados Unidos, cujas taxas de curto prazo avançaram aos maiores níveis desde fevereiro de 2025. Embora os Fed Funds tenham se mantido na faixa entre 3,50% e 3,75%, conforme o mercado esperava, a comunicação do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed foi avaliada como bastante dura. Além de retirar do comunicado a indicação de viés de queda dos juros, as projeções dos integrantes do Fomc mostraram um comitê basicamente dividido entre a manutenção ou o aumento dos juros até o fim do ano. Dos 18 integrantes do Fomc que deram suas projeções para a política monetária, nove disseram esperar juros mais altos do que a faixa atual de 3,50% a 3,75% nos próximos meses, ao passo em que oito projetaram juros estáveis. Apenas um membro do Fed disse esperar um corte ao intervalo de 3,25% a 3,50%, ao passo em que o novo presidente do BC americano, Kevin Warsh, não deu previsões. Com isso, os investidores passaram a precificar uma ou duas altas dos Fed funds na segunda metade de 2026, conforme mostra o levantamento do CME Group. Além disso, o mercado passou a ver apenas 14% de chance de que a taxa básica dos Estados Unidos permaneça no atual nível até dezembro. A expectativa por uma política monetária mais apertada nos Estados Unidos se refletiu também no que os investidores precificam para o caminho da Selic, a poucas horas da decisão do Copom. O colegiado deve reduzir os juros de 14,50% para 14,25%, mas as indicações para decisões futuras serão acompanhadas de perto pelos agentes. Para um profissional da tesouraria de um importante banco brasileiro, a ausência de uma indicação recente mais conservadora por parte dos diretores do Copom indica que o colegiado deve cortar os juros, evitando adicionar volatilidade ao mercado. “A pergunta-chave é o que o BC dirá no comunicado: eles vão declarar o fim do ciclo de flexibilização, ou deixarão a porta aberta para outro corte? Acredito que seria prudente deixar a porta aberta, já que ninguém sabe de verdade o que vai acontecer com os preços do petróleo”, argumenta este participante do mercado. Juros, percentual, taxas — Foto: Ali Rezaei/Unsplash