O humor do mercado voltou a piorar na manhã desta sexta-feira, em um movimento derivado do exterior, onde os fortes dados de emprego nos Estados Unidos reforçaram as apostas de que o Federal Reserve (Fed) pode ter de apertar a política monetária. O dólar ganhou força tanto no exterior quanto no Brasil e, agora, já ultrapassa R$ 5,10, ao mesmo tempo em que os juros futuros voltaram a incorporar prêmios na curva, o que deixa as taxas em forte alta, com alguns vencimentos mais longos já ultrapassando o nível de 14,5%. Por volta de 10h30, o dólar subia 0,96%, a R$ 5,1149, no mercado à vista, enquanto no mercado de juros as taxas sofriam forte aumento do prêmio de risco. A do DI para janeiro de 2029 escalava de 14,425% para 14,535%, enquanto a do DI para janeiro de 2031 avançava de 14,41% para 14,495%. “O humor com o Brasil já não era dos melhores e, agora, veio essa ‘puxada’ nos mercados globais com o ‘payroll’”, observa um gestor de moedas em condição de anonimato. O real, inclusive, está entre as divisas de pior desempenho na sessão, atrás, somente, do won sul-coreano. Com o aumento das expectativas em torno de um aumento nos juros americanos, cresce a possibilidade de fortalecimento do dólar — movimentos que penalizam tanto o real quanto os juros futuros, que já sofriam com a piora na percepção de risco no Brasil, como mostrou o Valor nesta sexta-feira. A alta dos juros curtos também é relevante, em um sinal de um espaço ainda menor para flexibilização da Selic. No fechamento de quarta-feira, o mercado precificava somente 12 pontos-base de cortes no ano. No horário acima, a taxa do DI para janeiro de 2027 subia de 14,295% para 14,325%.
Dólar e juros futuros disparam após ‘payroll’ forte reforçar chance de alta dos juros americanos
Ativos locais já sofriam com a piora de percepção de risco local, com um espaço ainda menor para flexibilização da Selic










