Nós estávamos na estrada a caminho de Bilbao para a conferência da vez quando o zap da família me lembrou que Alemanha x Curaçao começaria em breve. Eu havia instigado a família a assistir apostando que o jogo entre possivelmente o melhor e o pior time da Copa só não acabaria em 12 x 0 porque a Alemanha, cavalheira, se limitaria mais uma vez a uma distância de 6 gols. Eu esperava 6 a 0, ou outro 7 a 1.
Na "parada biológica" seguinte, meu marido pegou o volante e eu resolvi que era chegada a hora do experimento de neurociência que tinha tudo para dar errado: testar se as bolinhas do "Vehicle motion cues" do iPhone (em ajustes/acessibilidade/movimento) de fato me ajudariam a assistir ao jogo dentro do carro sem ficar enjoada.
Se ler ou olhar para o telefone no carro em movimento já não é para qualquer um, meu cérebro autista hipersensível a estímulos sensoriais enjoa só do meu marido fazer curvas bruscas ou frear do nada –razão pela qual normalmente sou eu quem dirijo. Já escrevi aqui que enjoo é manifestação de ansiedade, e tenho cada vez mais convicção de que ansiedade é pura e simplesmente a sensação da falta de controle sobre os acontecimentos, o que se estende a futuros antecipados, mas começa da forma mais literal possível: com a incapacidade de explicar a origem dos eventos que estimulam o cérebro pelos sentidos, que dirá antecipá-los. Ainda estou educando meu marido a não me "fazer festinha" no ombro toda vez que passa por trás de mim, pois levo um bom minuto até acalmar meu cérebro hipersensível.













