A eliminação precoce do Brasil na Copa me privará de um prazer que eu vinha cultivando secretamente: assistir aos jogos da seleção com delay. Eu confesso, sou um fã do delay. Em ambientes urbanos densamente povoados nos quais uma maioria barulhenta tem clara preferência por um dos times, o delay nos permite experimentar a sensação de conhecer o futuro. Eu sabia com antecedência de dezenas de segundos quais os ataques promissores do Brasil que se desenhavam na tela da TV que se converteriam em gol e quais os que terminariam frustrados. Se o delay mata o prazer da surpresa, ele também traz a tranquilidade de não sermos surpreendidos por eventos que não controlamos.
Não se trata aqui daquela presciência instrumental dos filmes de ficção científica com a qual viajantes no tempo enriquecem fazendo apostas em resultados esportivos que já conhecem ou comprando as ações que sabem que irão se valorizar. É mais a clarividência trágica de Ésquilo. Prometeu, cujo nome em grego significa justamente "aquele que aprende antes", sabia os castigos cruéis a que seria submetido por desobedecer a Zeus e mesmo assim entregou o fogo aos homens, escolhendo, por uma combinação de heroísmo com amor à humanidade, submeter-se a 10 mil anos de sevícias. É só na continuação da peça, texto do qual só restam fragmentos, que Prometeu daria uma espécie de volta por cima.









