Protocolo de baixa latência chega ao streaming e tenta rivalizar com a TV aberta Loja vende aparelhos de TV às vésperas da Copa do Mundo — Foto: Edilson Dantas/O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/05/2026 - 10:25 Copa 2022: Batalha Tecnológica pelo Menor Delay nas Transmissões Na Copa de 2022, a disputa pelo menor delay na transmissão dos jogos está acirrada entre TV aberta e streaming de baixa latência. Tradicionalmente, o rádio lidera com o menor atraso, mas o avanço tecnológico do streaming com protocolos como LL-HLS/LL-DASH promete reduzir significativamente o delay, rivalizando com a transmissão direta da TV aberta. Enquanto a TV a cabo e o streaming convencional enfrentam desafios como criptografia e roteamento de dados, o Globoplay, da Globo, aposta em uma rede CDN robusta para minimizar o atraso. Assim, a briga pelo vice-campeonato do "grito de gol" será intensa, com a TV a cabo e streaming padrão ficando atrás na corrida. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Desde a Copa de 2010, virou tradição: o torcedor investe em um aparelho de TV com as mais modernas tecnologias, como 4K e streaming, para ser informado pelo grito de gol do vizinho que a bola vai cruzar a linha fatal. O delay entre formatos de transmissão está de volta, mas ganhou um capítulo mais emocionante neste ano: a disputa por velocidade entre o sinal de TV aberta e o streaming, algo impensável até quatro anos atrás. O atraso entre aquilo que acontece no estádio e o que chega na casa das pessoas é definido pelo volume de dados e a quantidade daquilo que os especialistas chamam de “hops”, os estágios de processamento ou retransmissão das informações — quanto mais intermediários, mais lento será. Neste quesito, o rádio segue imbatível. Neste ano, porém, a TV aberta ganhou um rival à altura, que promete ficar bem perto e até empatar nas taxas de delay: o streaming com protocolo de baixa latência. Confira, abaixo, como fica o delay no rádio, na TV e no on-line com esta nova tecnologia: Como é o caminho do grito de gol? Além de não processar imagens, o caminho do grito de gol pelo rádio é bem mais simples. Em um torneio internacional, como a Copa, o som é captado, codificado, enviado a um satélite, devolvido à Terra e transmitido pela antena da emissora até os radinhos. Isso pode render entre três e cinco segundos de delay — sem precisar de satélites, partidas de torneios nacionais têm atraso ainda menor, chegando a dois segundos. — No final do dia é tudo culpa de Deus, que colocou limite na velocidade da luz. Ou, se não quiser culpar Deus, pode culpar o Einstein (risos) — diz Marcos Barreto, professor da Fundação Vanzolini da Universidade de São Paulo (USP). Mas tem um detalhe: essa conta só vale para transmissões diretas. Se uma emissora de rádio faz a transmissão a partir de imagens de televisão, ou se o torcedor decide escutar a estação pela internet, o delay será maior do que acompanhar pela TV. Para partidas com imagens, o método com menor atraso sempre foi a TV aberta — quando o Brasil fazia a transição entre os sinais analógico e digital, o primeiro era o campeão. O caminho do gol é parecido com o do rádio, mas exige codificação e decodificação dos dados de imagem, que são mais pesados tanto na captação quanto quando chegam aos aparelhos de TV e receptores. Resultado: delay entre seis e oito segundos. Neste ano, porém, a TV aberta ganhou um rival à altura, que promete ficar bem perto e até empatar nas taxas de delay: o streaming com protocolo de baixa latência. Igor Macaúbas, diretor de tecnologia para produtos digitais da Globo, conta sobre o avanço: — Pela primeira vez na Copa, o Globoplay contará com baixa latência na transmissão dos sinais ao vivo dos canais. Isso deve fazer com que o delay fique entre seis e nove segundos, variando de acordo com a conexão e aparelho do usuário. Protocolos de baixa latência no streaming, como o LL-HLS/LL-DASH, reduzem o volume de pacotes de dados necessários que trafegam na internet para que as informações cheguem de maneira contínua nas TVs e celulares. Cleiton Pereira, professor do Centro Universitário FEI, explica como funciona a tecnologia: — O grande vilão do streaming é o buffer. Ele é como uma mala que armazena alguns trechos da transmissão, que são servidos de modo contínuo em uma “esteira de bagagens”. Os novos protocolos diminuem o tamanho das malas e o número de volumes na esteira para que você consiga assistir à partida. Em relação à TV à cabo, os novos protocolos de baixa latência já mostraram ser mais rápidos. No ano passado, durante o Super Bowl, uma medição da empresa Witbe registrou menor latência do streaming em relação à TV a cabo, mesmo com ambos transmitindo a partida entre Philadelphia Eagles e Kansas City Chiefs em 4K. Ao comparar TV a cabo com TV aberta, Marcos Barreto, da USP, diz que, tecnicamente, ela nunca é a primeira a receber a informação. O sinal precisa primeiro chegar à geradora (emissora) e só então é repassado para a operadora distribuir: — A turma da TV a cabo já pega os sinais de segunda linha. O sinal passa por todo o processo da TV aberta para depois ser repassado às operadoras. Aqui a gente já tem mais um delayzinho. Além da conversão, a operadora insere uma camada de criptografia para gerenciar o acesso conforme o pacote do cliente, o que adiciona uma etapa a mais de processamento. Transmissões em 4K aumentam a quantidade de informações, o que gera um delay maior em relação ao sinal Full HD da TV aberta. Para o streaming de baixa latência superar a TV a cabo, precisa superar outros desafios típicos do formato, como a complexa teia de processamento digital que torna a transmissão pesada e variável. — Após o processamento, esse sinal precisa ser fragmentado e distribuído por redes globais, o que adiciona camadas de latência inexistentes nos meios tradicionais — explica Eduardo Pouzada, do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT). Segundo ele, o delay do streaming é influenciado pelo roteamento feito pela operadora de internet (ISP). Como os dados podem seguir diferentes rotas por servidores, o tempo de chegada pode variar de um dispositivo para outro. Igor Macaúbas conta como o Globoplay planeja encontrar atalhos na rede para a distribuição: — Teremos uma rede CDN com mais de 300 pontos de distribuição espalhados pelo Brasil. A CDN é uma rede de distribuição de conteúdo essencial para a infraestrutura da internet moderna e pode virar gargalo em transmissões de grande alcance. Dessa maneira, o conteúdo não parte de um único servidor central em São Paulo, mas é distribuído para diversos data centers regionais para ficar fisicamente mais próximo dos usuários. Ou seja, quanto mais CDNs, menor o delay será. Portanto, nesta Copa, o campeão do grito de gol continuará sendo o rádio, mas o vice-campeonato terá uma forte disputa entre TV aberta e streaming de baixa latência. TV a cabo e streaming padrão ficarão na zona de rebaixamento. Apesar disso, os especialistas alertam que o próprio torcedor pode contribuir para o atraso. Além da chegada do sinal, o tipo de conexão e de aparelho receptor são fundamentais. No primeiro caso, a rede fique congestionada por diversos aparelhos conectados ao mesmo tempo ou por baixa frequência de Wi-Fi — ou seja, aquele familiar que não curte Copa e decide assistir a uma série no streaming pode virar obstáculo. Já nas transmissões de TV, o receptor, esteja ele embutido ou não no aparelho, pode gerar mais ou menos delay para decodificar e reproduzir o vídeo.
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