0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O edifício do Banco Central, em Brasília — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 18/06/2026 - 00:31 Comunicado do BC sobre Selic gera críticas por confusão e contradições Economistas criticam o comunicado do Banco Central sobre a redução da Selic, classificando-o como confuso e contraditório. O BC rompeu a simetria usual ao listar mais riscos de alta que de baixa para a inflação, refletindo preocupações com conflitos geopolíticos e logística global. O texto sugere possíveis cortes futuros, mas contrasta com a ênfase no aumento dos riscos e incertezas, gerando dúvidas no mercado. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A redução da Selic em 0,25 ponto percentual já era esperada pela maior parte do mercado. O que surpreendeu foi a comunicação confusa utilizada pelo Copom para anunciar sua decisão. Um 'coponês' há muito tempo não visto. Para André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, a dificuldade de interpretar o comunicado decorre da própria ambiguidade do texto. Segundo ele, o primeiro ponto é a mudança no balanço de riscos. O Banco Central passou a listar quatro riscos de alta para a inflação e três riscos de baixa, rompendo a simetria observada nos comunicados anteriores. - Isso mostra que o BC está mais preocupado com o comportamento futuro da inflação. Boa parte dessa preocupação vem dos conflitos no Oriente Médio e na Europa, que provocam problemas logísticos, elevam custos e afetam os preços das commodities. Ao mesmo tempo, o próprio Banco Central reconhece que as incertezas decorrentes desses conflitos reduzem a capacidade preditiva dos modelos econômicos, aumentando as dificuldades tanto para a autoridade monetária quanto para o mercado. Apesar desse cenário mais incerto, o comunicado afirma que a magnitude e a extensão do ciclo de calibração da política monetária dependerão da evolução dos indicadores de inflação e atividade econômica. Para Galhardo, esse trecho sugere que o BC ainda considera a possibilidade de novos cortes de juros. - Ele não antecipa explicitamente novas reduções da Selic. Mas, ao afirmar que avaliará a extensão e a magnitude desse ciclo, fica subentendido que novos cortes permanecem no radar. Na avaliação do economista, essa sinalização contrasta com o restante do comunicado, que enfatiza a piora do balanço de riscos e a redução da capacidade preditiva dos modelos. - Isso é o que torna a mensagem tão confusa. De um lado, o BC demonstra maior preocupação com a inflação e reconhece um ambiente de incerteza mais elevado. De outro, deixa aberta a porta para a continuidade do ciclo de cortes. Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, também classificou o texto como confuso e afirmou que a ata da reunião, que será divulgada na próxima terça-feira, será fundamental para esclarecer a estratégia da autoridade monetária. Segundo ela, há uma aparente contradição entre o diagnóstico e a decisão tomada. De um lado, o BC reconhece a deterioração do balanço de riscos ao incorporar novos fatores de pressão inflacionária, como os impactos do El Niño e estímulos à demanda. De outro, promove um corte de juros e amplia o horizonte de análise da política monetária. A maior fonte de dúvidas está em um trecho específico do comunicado.“Nas simulações atuais, a trajetória de política monetária necessária para assegurar a convergência da inflação à meta, no atual horizonte relevante, implicaria que as taxas de inflação projetadas a partir do horizonte relevante vigente na próxima reunião estariam situadas abaixo da meta. Nessas condições, o Comitê avalia que trajetórias alternativas garantindo a convergência da inflação à meta no primeiro trimestre de 2028, o horizonte relevante a partir de sua próxima decisão, são compatíveis com a suavização na variação dos agregados macroeconômicos”. Para Luis Leal, da G5 Partners, a justificativa para o corte está justamente nessa mudança temporal. - Ou seja, como na reunião de agosto já estaremos olhando para o primeiro trimestre de 2028 e não mais para o quarto trimestre de 2027, e, lá na frente, se os juros fossem mantidos agora em 14,50% a.a. a inflação para o novo horizonte relevante de política monetária ficaria abaixo da meta, portanto, cortamos agora. Parece confuso e é. Trazer a valor presente uma convergência futura para meta é bastante sui generis. Galhardo salienta que a projeção oficial do Banco Central aponta inflação de 3,7% no último trimestre de 2027. Então como uma inflação projetada em 3,7% poderia convergir para abaixo da meta de 3% poucos meses depois, já no primeiro trimestre de 2028, justificando um corte de juros neste momento? Em relatório, a 4intelligence destacou que, para justificar sua decisão, o BC acrescentou dois parágrafos ao comunicado, "com redação bastante confusa". Na avaliação da consultoria, os principais recados da autoridade monetária foram que os modelos estão sujeitos a um nível de incerteza acima do normal; que a política monetária já permanece restritiva há bastante tempo; que parte da inflação decorre de choques de oferta, pouco sensíveis aos juros; e que perseguir a convergência da inflação ao atual horizonte relevante exigiria uma política monetária excessivamente restritiva, levando a inflação para abaixo da meta posteriormente.
Comunicado do BC é classificado como confuso e contraditório por economistas
Comunicado do BC é classificado como confuso e contraditório por economistas















