O ofício de opinar sobre televisão, que exerço há 18 anos, envolve necessariamente, com maior ou menor frequência, entrar em desacordo com leitores e ouvintes. Aprendi, porém, que quando a divergência é gritante e muitos leitores fazem um mesmo reparo é porque não consegui comunicar a minha opinião com a clareza necessária.
Publicada há duas semanas, a coluna sobre "Brasil 70", que trata da campanha da seleção brasileira na Copa de 1970, no México, está nessa categoria dos textos em que falhei. O fato de eu ter dito que a minissérie bateu na trave incomodou os espectadores e provocou um bom número de protestos.
Um sinal evidente de que irritei os leitores é quando leio: "A série é muito boa e sua opinião é só sua opinião". Sim, Alex2004, você tem razão. O problema é que não fui capaz de transmiti-la como pretendia.
Deveria ter deixado mais explícito que "Brasil 70" mexe com uma das memórias afetivas da infância mais fortes que guardo. Não foi só o crítico que assistiu à minissérie; foi também o garoto de nove anos que viu todos aqueles jogos espetaculares na pequena TV em preto e branco e, desde então, consome tudo o que foi produzido e escrito a respeito.
A Copa de 1970 não é qualquer coisa. A campanha da seleção brasileira nessa competição é uma das maiores glórias do esporte brasileiro. Foi acompanhada por milhões de pessoas no mundo. Está num patamar de qualidade muito alto, acima de praticamente todas as conquistas do futebol brasileiro. Para mim, os protagonistas da saga esportiva de 1969 e 1970, ocorrida num momento tenebroso da vida política do país, estão na categoria de heróis.











