Joseph Ferrari tem uma alcunha para os procrastinadores – chama-lhes “procs” – e há 40 anos que os estuda. O professor e escritor ficou fascinado pela procrastinação quando estava a fazer o doutoramento em psicologia experimental e se apercebeu de que ninguém tinha estudado a psicologia por trás do motivo pelo qual algumas pessoas estão constantemente a adiar a conclusão de tarefas. Como o próprio Joseph não é um “proc”, pôs-se imediatamente a trabalhar, explorando as causas da procrastinação em várias culturas e grupos demográficos.O investigador chegou a escrever vários livros sobre o tema, incluindo Still Procrastinating? (Ainda a Procrastinar?), em 2010. Actualmente, lecciona na Universidade DePaul (nos EUA) e descobriu que 20% das pessoas são procrastinadoras crónicas – o que significa que adiam com frequência e de forma intencional e irracional uma tarefa específica, muitas vezes ao ponto de causarem desconforto a si próprios e aos outros. “É muito”, afirmou Ferrari. “Mais do que a depressão, as fobias, os ataques de pânico, o alcoolismo e o abuso de substâncias.”E isso é um problema, afirma: “Para 20% das pessoas, estão a perder a vida. A vida é demasiado curta. É preciso fazer as coisas.”Eis o que décadas de estudo sobre a procrastinação ensinaram a Ferrari e as cinco coisas que gostaria que todos soubessem.Qualquer pessoa pode ser procrastinadora, embora haja profissões com mais propensãoSegundo Ferrari, nem o género, nem a idade, nem a etnia tornam alguém mais ou menos propenso à procrastinação. Quem vive na cidade procrastina com a mesma frequência que quem vive no campo, e as pessoas que vivem na Coreia do Sul, na Índia, em Israel e na Inglaterra são tão propensas a fazê-lo quanto os norte-americanos ou portugueses.A única diferença que notou foi entre pessoas com trabalhos manuais e pessoas que trabalham em escritórios. “Se eu for electricista, canalizador ou carpinteiro e não trabalhar, não recebo”, disse Ferrari. “Mas se eu for um trabalhador de escritório — alguém que trabalha numa empresa —, vou receber o meu salário de duas em duas semanas ou de mês a mês, de qualquer forma.”Não se pode culpar a tecnologia ou a vida agitada Há muitas ocasiões em que Ferrari ouve as pessoas culparem a tecnologia pela sua procrastinação. Ouve-as também dizer que a vida moderna é simplesmente mais agitada do que costumava ser.“Uau”, diz Ferrari. “Que insulto aos nossos antepassados.” Os nossos antepassados, que muitas vezes eram agricultores, por exemplo, “tinham de se levantar de manhã cedo para consertar a cerca, alimentar os animais, preparar o feno, plantar as sementes, consertar o telhado e enlatar os produtos. Tinham muito que fazer.”No final de contas, porém, todas as desculpas que ele ouve não passam disso mesmo — e, como diz Ferrari, “os procrastinadores são mestres a inventar desculpas”.