PUBLICIDADE Estudo com participação de brasileiros, buscou no DNA respostas para baixo consumo de energia e longevidade do mamífero 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Olhar para o metabolismo da preguiça, que é 'normal' sob a ótica da baixa energia, pode ajudar a explicar como funcionam algumas condições patológicas humanas. — Foto: Wikimedia Commons RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 12/06/2026 - 19:18 Estudo Revela Genoma da Preguiça e Pode Avançar Pesquisa Médica Um estudo pioneiro sequenciou o genoma da preguiça-de-dois-dedos, revelando genes que explicam seu metabolismo lento e eficiente. A pesquisa, com participação de brasileiros, sugere que os "genes saltadores" contribuem para a sobrevivência com baixo consumo de energia. Esses achados podem ajudar a entender disfunções metabólicas humanas, como envelhecimento e doenças neurodegenerativas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A ciência está mais próxima de desvendar a lentidão dos bicho-preguiça. Pela primeira vez, uma equipe de pesquisa sequenciou o genoma (ou seja, fez a descrição completa do DNA) da preguiça-de-dois-dedos. O trabalho identificou sequências genéticas preservadas por milhões de anos nesses mamíferos e que podem ajudar a explicar porque eles têm um metabolismo tão lento, mas ainda assim bastante eficiente. A pesquisa, publicada na revista BMC Biology, na semana passada, tem participação de especialistas do Hospital Sírio-Libanês,em São Paulo, além de contar com pesquisadores do Wellcome Sanger Institute no Reino Unido, o Max Planck Institute for Molecular Cell Biology and Genetics, na Alemanha, entre outras instituições. O que chama atenção no trabalho é a descrição de um volume grande dos chamados “genes saltadores”, que podem estar inseridos num mecanismo fundamental para a sobrevivência desse mamífero: a necessidade de sobreviver com baixíssimo consumo de energia. Ou seja, há indicativos de que esse tipo de gene faça parte de um tipo de “sistema de apoio” no organismo desses mamíferos. O que manteria o funcionamento em dia, mesmo em um ambiente que seria problemático a outras espécies. — As preguiças são super eficientes do ponto de vista metabólico. Comem muito pouco,mas sobrevivem por muitos anos. Outro aspecto interessante é que elas fazem um tipo incomum de regulação térmica. Elas conseguem fazer o ajuste da temperatura corporal em até 5 graus, o que é muito incomum para mamíferos. Nós, humanos, por exemplo, precisamos comer mais no frio, isso é algo que nos demanda muita energia — explica Pedro Galante, pesquisador do Centro de Oncologia Molecular do Hospital Sírio-Libanês e coautor do estudo. — Esses animais também têm poucos músculos, o que é algo em geral associado a menor sobrevida, inclusive nos humanos, mas eles vivem bastante A janela de oportunidade aberta por esse tipo de descoberta, explica Galante, é que no futuro esse tipo de mecanismo pode ser usado como ferramenta para entender disfunções metabólicas, as doenças, humanas. Esse tipo de jornada, de hipóteses e comparações é bastante comum em análises científicas, explicou o especialista. Neste momento, porém, cabe ressaltar que a pesquisa recentemente publicada está centrada na área da biologia evolutiva. — O que estamos fazendo é lançar luz num quarto escuro. Ao olhar para esse metabolismo da preguiça, que é "normal" sob essa ótica da baixa energia, podemos tentar entender como funcionam algumas condições patológicas humanas. Seriam questões como, por exemplo, o envelhecimento, as doenças neurodegenerativas ou o diabetes. E, para elas (para esses problemas) propor a solução. Em algumas espécies, a solução está pronta, foi encontrada em anos de evolução, como é no caso dessas preguiças. Nós, por outro lado, buscamos entender como isso acontece (no organismo delas)— explica. O pesquisador do Centro de Oncologia Molecular, Pedro Galante, diz que há, sim, o interesse de seguir investigações nesse sentido, para que seja possível direcionar a aplicação desses conhecimentos em estudos voltados aos problemas de saúde humanos. Isso, contudo, necessita de novos desdobramentos de pesquisa. — É legal estudar o metabolismo de preguiça, mas melhor ainda é tentar resolver um problema real da nossa espécie — defende. Outros bicos Como o pesquisador do Hospital Sírio-Libanês explicou, esse tipo de análise não é incomum. Em 2022, por exemplo, pesquisadores de diversas instituições internacionais, como a Universidade de Oxford, divulgaram um trabalho voltado às interações moleculares de uma proteína chamada p53, uma “guardiã” do genoma. A proteína em questão, diz a pesquisa daquela época, aparece em duas dezenas de cópias nos elefantes, o que pode ser uma chave para desvendar a resistência dessa espécie ao câncer. A P53 tem uma conhecida capacidade em desempenhar um papel importantíssimo na resposta a danos no DNA. Além disso, ela também trabalha para prevenir crescimento celular descontrolado — dois mecanismos ligados ao aparecimento de tumores. Esses pesquisadores descobriram que a P53, além de muito presente no corpo desses “grandalhões”, escapa de um mecanismo de desativação celular que limitaria seu funcionamento. Na prática, isso significa que elas permaneceram mais disponíveis para detectar e responder a danos nas células. O que é uma vantagem e tanto.