"Sou adepto da hiperfagia episódica e da posterior redução da taxa metabólica basal": aquela frase que poderia muito bem ser dita por quem comparece a uma churrascaria rodízio de vez em quando e tira um cochilo com a pança cheia depois –ou por crustáceos das profundezas que conseguem passar mais de cinco anos sem comer.
OK, sei que estou forçando um pouco a barra, mas o fato é que a precisão terminológica da ciência muitas vezes não passa de neologismos gregos aplicados a coisas corriqueiras. "Hiperfagia episódica" nada mais é que comer demais de vez em quando, afinal de contas. A única diferença é que os crustáceos a que me refiro, do gênero Bathynomus, levam isso a extremos que a imaginação de quem está acostumado a três refeições por dia tem dificuldade de conceber –em parte porque conseguiram se transformar em "transgênicos naturais".
Detalhes dessa história impressionante saíram há pouco em artigo na revista científica Cell, assinado por pesquisadores do Iocas (Instituto de Oceanologia da Academia Chinesa de Ciências, na sigla inglesa). Liderados por Jianbo Yuan, os cientistas conseguiram identificar os mecanismos básicos do funcionamento do organismo dos bichos, essenciais para o sucesso de seu superjejum.











